SP: familiares cobram mais policiamento próximo a escolas públicas
A lei determina que a polícia é a responsável pela segurança dos estudantes a partir de 100 metros dos portões da escola, seja ela privada ou pública. Contudo, enquanto colégios pagos de São Paulo investem em seguranças particulares para proteger seus alunos, instituições das redes municipal e estadual têm de contar somente com o poder público, o que nem sempre basta.
A Escola Estadual Padre Tiago Alberione, localizada no bairro Cidade Júlia, na zona sul da capital paulista, é uma das atendidas pela Ronda Escolar, que faz parte de um programa organizado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. O projeto, que atende instituições de ensino das redes pública e privada, já melhorou a situação no entorno dos colégios, mas não resolveu todos os problemas. "Antes nos sentíamos mais vulneráveis, pois aconteciam desentendimentos fora da escola que acabavam aqui dentro, mas isso não tem mais acontecido", afirma Katia dos Santos Geraldo, coordenadora pedagógica da Alberione.
No caso das escolas municipais da capital, a Guarda Civil Metropolitana mantém o Programa de Proteção Escolar, que realiza rondas ostensivas e mantém policiamento fixo em unidades consideradas de maior vulnerabilidade. O ambiente em que essas instituições estão inseridas, no entanto, demandam uma atenção ainda maior, e mesmo com a proteção da polícia, problemas como tráfico de drogas, por exemplo, ainda causam apreensão. "Acho que (a Ronda Escolar) não é suficiente, pois o policial passa uma vez por dia. Acredito que deveria existir policiamento mais ostensivo", comenta Maria Aparecida Moreira, avó de um aluno da Alberione.
Mãe de três filhos, dois deles matriculados em escolas públicas de Osasco (SP), Camila Marangoni vê a presença constante da polícia nos arredores das escolas, mas também acredita que ainda não é o bastante. "Eu prefiro mandar meus filhos de transporte escolar privado, que os busca e deixa na porta da escola, pois acho muito perigoso. A escola deveria orientar e conversar mais sobre segurança", defende.
Para a consultora de segurança Yara R. Gonçalves Dias, criar um ambiente seguro depende não só do colégio ou do Estado, mas também de alunos e pais. "A escola deve desenvolver projetos que envolvam toda a comunidade escolar visando a não violência e desenvolvendo, assim, uma cultura de paz", orienta. Na escola Padre Tiago Alberione, para diminuir a vulnerabilidade dos alunos da instituição, optou-se por um trabalho de conscientização dos jovens, por meio de palestras, e dos pais, com reuniões constantes.
Trânsito violento
Existe ainda a preocupação dos pais em relação ao trânsito no entorno das escolas. "A única insegurança que sinto é relacionada à velocidade dos carros e à ansiedade dos motoristas, que não se preocupam com as crianças", afirma o empresário Rodrigo Silveira, cujo filho estuda em uma escola municipal localizada no bairro Pinheiros, zona oeste. Com exceção do trânsito, o empresário acredita que existe uma sensação de segurança na região devido ao fluxo constante de pessoas nas ruas e ao clima da vizinhança, onde todos se conhecem.
Mais câmeras
Em maio, o governo do Estado anunciou um investimento total de R$ 11,9 milhões anuais em vigilância eletrônica na rede estadual. No segundo semestre de 2013, alarmes e câmeras serão instalados em 597 instituições. Hoje 1.567 escolas já são monitoradas. Os equipamentos que estão em áreas de circulação dos prédios têm como objetivo preservar o patrimônio público e inibir atos de vandalismo e violência.