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Projeto cria programa de cotas para pessoas trans no ensino superior

Medida foi idealizada por coletivos pertencentes à comunidade e protocolada pela deputada federal trans Erika Hilton (PSOL-SP)

18 jul 2023 - 16h44
(atualizado às 17h27)
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Criação de lei de cotas para pessoas trans visa incluir a comunidade na educação de ensino superior.
Criação de lei de cotas para pessoas trans visa incluir a comunidade na educação de ensino superior.
Foto: Poder360

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou no Congresso Nacional um projeto de lei que cria cotas para pessoas trans nas instituições de ensino superior. Em entrevista ao Terra, a parlamentar explicou que o pedido é semelhante ao que tem ocorrido em relação à Lei de Cotas Raciais, em vigor desde 2012 e que assegura 50% das vagas para pretos, pardos, indígenas, pessoas com deficiência e estudantes de escola pública.

"Nesses últimos dez anos de implementação da política, temos vistos negros ocupando espaços que antes eram restritos a pessoas brancas. Vemos negros se tornando profissionais de saúde, professores e juristas", acrescenta. 

O pedido foi protocolado no dia 15 de junho e prevê que as universidades federais e institutos federais de ensino reservem 5% de suas vagas para pessoas trans e travestis. O percentual é válido por curso e por turno.

"Com uma política estruturada de cotas trans, as universidades terão que, obrigatoriamente, adotar reserva de vagas para pessoas trans e travestis e se mobilizar para tornar o ambiente educacional mais acessível, seguro e receptivo para esse grupo, que nunca esteve devidamente representado no ensino superior", argumenta.

Outro ponto do projeto é que os candidatos poderão concorrer às vagas para comunidade via cotas e também de ampla concorrência, sem inviabilizar o processo de seleção nos dois módulos. Caso o número de vagas destinado às cotas para trans não sejam preenchidas pela comunidade, as oportunidades de ingresso na graduação serão revertidas para a ampla concorrência. 

A proposta vai considerar para a atribuição das cotas o critério da autodeclaração das pessoas trans e travestis.

A iniciativa foi construída pela parlamentar em parceria com coletivos e organizações trans da sociedade civil de todo o país como Equi - empregabilidade trans e LGBQIA+, Grupo de Estudos em Direito e Sexualidade - FDUSP, Núcleo de Consciência TRANS Unicamp, Trans Enem Poa, Rede de Estudantes Trans e Travestis Organizades da UERJ, Coletivo Intertransvestigênere Xica Manicongo da USP, Coletivo Transpassando, Conselho LGBT de Fortaleza, Revista Estudos Transviades, Coletivo LGBTQIAPN+ Dandara dos Santos,  Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, Corpas Trans da USP, Coletivo TransUFBA, Rede Transvestis UFFianas e DCE UFF Fernando Santa Cruz.

Impacto do fomento à lei

Mesmo o projeto ainda em etapa inicial de tramitação no Congresso, a deputada federal Erika Hilton acredita que, caso o PL seja aprovado, isso pode trazer uma transformação decisiva para a comunidade, principalmente na mobilidade social de grande parte das pessoas trans e travestis. Apesar da proposta, algumas instituições de ensino superior do País já contam com a reserva de vagas para esse público, mesmo sem a efetivação do projeto de lei de cotas.

Para Rodrigo Bouyer, avaliador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), a discussão sobre educação inclusiva precisa ser difundida entre os ministérios transversais ao tema.

"Estas pessoas precisam ter acesso à educação, mas nada vai adiantar se ela não tiver acesso ao emprego, se não tiver um debate da sociedade que envolva o Ministério do Trabalho, que envolva os ministérios da Indústria e do Planejamento e que envolva a sociedade em diversos outros aspectos, para permitir que, além da educação, seja viabilizada a oportunidade de emprego", observa.

Fonte: Redação Terra
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