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Professor do interior de Goiás é destaque no 'Nobel da Educação'

Greiton Toledo, de 31 anos, desenvolveu projeto para auxiliar no tratamento do Parkinson

12 out 2021 03h06
| atualizado às 09h57
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Greiton Toledo, 31 anos, é professor e pesquisador pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano) localizado em Ipameri, no interior de Goiás. Ele leciona em escolas públicas há 11 anos e, por meio da matemática, desenvolveu um projeto em que estudantes criam jogos e atividades de maneira sustentável para o tratamento do mal de Parkinson.

Greiton Toledo está entre os 50 finalistas do prêmio Global Teacher Prize
Greiton Toledo está entre os 50 finalistas do prêmio Global Teacher Prize
Foto: Divulgação Projeto Mattics / Estadão

Foi com o projeto Mattics, iniciado em 2015, que Greiton agora entrou para a lista dos 50 finalistas do Global Teacher Prize, conhecido como o Nobel da Educação. Concedida pela Varkey Foundation em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a honraria tem premiação de US$ 1 milhão e vai apresentar o vencedor desta edição em novembro.

Segundo o professor, o trabalho nasceu ainda longe de Ipameri, numa turma de ensino fundamental 2 da EMEF Irmã Catarina, em Senador Canedo, município próximo à capital Goiânia, e depois se expandiu. Nesta época, Greiton foi para o Instituto Federal Goiano, onde ampliou o trabalho com a pretensão de difundi-lo para mais escolas públicas. "Tenho orgulho de ser professor da educação básica, porque é nela que está 80% da futura geração que vai impactar em diferentes setores das nossas cidades, estados e países", afirma o professor, que decidiu seguir carreira na área quando tinha 13 anos.

Por meio do projeto Mattics os alunos criam jogos digitais e desenvolvem dispositivos eletrônicos de baixo custo usando matemática, programação e robótica para tratar os sintomas da doença de Parkinson. A iniciativa busca ajudar os alunos a aprender e usar a matemática de uma forma que lhes permita ver e interpretar situações reais, tomar decisões e lidar com eventos imprevistos.

O aluno, segundo o olhar de Greiton, assume o papel de pesquisador e inventor, em vez de apenas receber informações prontas para serem reproduzidas. "No lugar da fórmula definição-exemplo-exercícios-respostas, valorizamos a compreensão, a invenção e os resultados da matemática. A hierarquia procedimental, conteúdos, exemplos e exercícios, são divididos dentro deste conceito, dando lugar à investigação e curiosidade com base na experimentação do aluno. Utilizamos softwares de matemática e programação", explica o professor.

Aluno mostra como é importante o projeto do professor

Eduardo Brandão, aluno do projeto desde 2019 começou a trabalhar com os jogos e conta como a técnica é importante para o auxílio na saúde dos idosos. "Utilizando tudo que a gente aprende no projeto que envolve matemática e invenções criativas, além de materiais de custo baixo para criação de jogos, que não são somente para diversão, podemos utilizá-los para benefício de outras pessoas. Levamos esses jogos para um hospital ajudando no tratamento da doença de Parkinson", destaca.

Ao longo desses anos já foram atendidos mais de 3 mil estudantes. Hoje são mais de 300 alunos trabalhando com o projeto. Eles passaram a levar os jogos desenvolvidos em sala de aula para hospitais, onde idosos com a doença Parkinson podem fazer atividades mentais e físicas, como em fisioterapia, acompanhados por profissionais da área da saúde.

Sobre estar entre os 50 finalistas do prêmio - mais de 8 mil profissionais de 121 países se inscreveram -, Greiton reconhece que se trata de uma grande realização. "É uma satisfação fazer parte desse prêmio. É um turbilhão de sentimentos que não consigo mensurar. Conseguimos colocar em destaque a educação pública brasileira do interior de Goiás", diz o professor, algo emocionado.

Com o reconhecimento, o professor acredita que o trabalho ganha evidência e com isso pode ser ampliado futuramente. "Para que a gente possa pensar uma sala de aula que não obrigue os alunos a reproduzir coisas que não tem sentido, mas que tenha significado para a matemática", disse.

Greiton já participou ao longo dos anos de vários programas de tecnologia e se tornou escritor de livros paradidáticos, com artigos científicos em periódicos especializados nacionais. Além disso, acumula diversos prêmios nacionais, como o Educador Nota 10 de 2016. Ele também foi selecionado para o Desafio Aprendizagem Criativa de 2017.

Estadão
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