Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Professora cria 'caixa eletrônico pedagógico' para ensinar alunos do EJA em Pernambuco

Adelma Barcelos diz que alunos têm idade média entre 45 e 60 anos, e querem aprender a ler para não depender de terceiros

7 ago 2026 - 04h58
Compartilhar
Exibir comentários
Adelma Barcelos desenvolveu métodos para ajudar alunos do EJA em sala de aula
Adelma Barcelos desenvolveu métodos para ajudar alunos do EJA em sala de aula
Foto: Reprodução/Instagram/pedagogaadelma

O uso do caixa eletrônico pode parecer simples do dia a dia, mas, para muitos adultos e idosos em processo de alfabetização, nem sempre é uma tarefa fácil. Observando essa necessidade, a pedagoga Adelma Barcelos, de 50 anos, criou o caixa eletrônica pedagógico para seus alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

A iniciativa criada pela professora pernambucana ensina alunos adultos e idosos a manusearem operações básicas em um caixa eletrônico, como consultar saldos e sacar dinheiro. Pedagoga especializada em Neuropsicopedagogia e Psicologia Escolar, ela conta ao Terra que trazer o cotidiano para a sala de aula mostra que a escola se solidariza com as dores desses alunos. 

"Para eles, o tempo é muito precioso. Eles chegam na escola cansados do trabalho pesado e com uma bagagem de vida enorme. Se eu chego com uma cartilha infantil, eu perco esse aluno na mesma hora. A alfabetização só faz sentido se vier para resolver um problema real que ele enfrenta lá fora.  Ligar o ensino ao dia a dia é, antes de tudo, uma questão de respeito com a história desse trabalhador", explica. 

Natural de Água Preta (PE), a pedagoga afirma que o principal ponto de alfabetização desses alunos, que costumam ter idade média entre 45 e 60 anos, é aprender a ler para não depender de terceiros, especialmente em agências bancárias, transporte público ou comércio. 

"A prática é o que tira o medo. O adulto não alfabetizado muitas vezes tem vergonha e se sente muito vulnerável diante da tecnologia. Imagine a aflição de um homem ou de uma mulher do campo na fila de um banco de verdade, com medo de travar a máquina ou tendo que entregar o próprio cartão e a senha na mão de um desconhecido. Isso fere a dignidade", ressalta a professora.

Caixa eletrônico pedagógico foi pensado para alunos do EJA
Caixa eletrônico pedagógico foi pensado para alunos do EJA
Foto: Reprodução/Instagram/pedagogaadelma

Adelma mantém uma conta no Instagram onde compartilha os resultados que obtêm em sala de aula. Vídeos mostrando a rotina nas turmas do EJA viralizaram nas redes sociais, ultrapassando 150 mil visualizações.

"Com o simulador do caixa eletrônico na sala, nós quebramos esse bloqueio. Eles apertam os botões, simulam a operação, erram e tentam de novo num ambiente onde ninguém vai rir ou tentar enganá-los. Quando o aluno domina essa prática, ele ganha autonomia. Ele entende que é um cidadão com direitos, que pode sacar o dinheiro do próprio suor e ocupar os espaços da cidade com segurança", diz.

Além do caixa eletrônico pedagógico, a professora usa outros métodos de aprendizado com os alunos adultos e idosos. Há também atividades relacionadas ao preenchimento da Carteira de Trabalho (CTPS) e do Título de Eleitor, por exemplo, além da simulação de uma urna eleitoral. 

A pedagoga acrescenta que costuma usar documentos reais, como contas de luz e água, para que os alunso aprendam a localizar o valor e a data de vencimento, por exemplo. Folhetos de supermercado, encartes de produtos agrícolas e embagalagens do dia a dia para checar a validade, também são ferramentas de aprendizado em sala.

"A mudança mais forte que a gente vê não é só na ponta do lápis, é na postura física. O aluno muitas vezes chega no começo do ano olhando para o chão, com a autoestima lá embaixo, dizendo que a cabeça 'já está dura' para aprender. Já presenciei a emoção de alunos ao conseguirem ir ao banco sozinhos na cidade pela primeira vez. Quando eles conseguem ler o próprio nome num documento ou conferir a própria conta de luz, eles passam a olhar as pessoas nos olhos. O resgate da autoestima é imediato. A alfabetização devolve a voz e a coragem para essas pessoas", conclui a pedagoga.

Fonte: Portal Terra
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra