Pandemia ainda repercute em índice de atraso escolar entre os mais novos no Brasil, diz IBGE
Levantamento também mostrou que aumentou o número de crianças de 0 a 5 anos de idade fora da escola por opções dos pais ou responsáveis
O índice de crianças brasileiras de 6 a 10 anos na série adequada à idade caiu para 90,7% em 2024, reflexo da pandemia, enquanto aumentou o percentual de crianças de 0 a 5 anos fora da escola, especialmente na Região Norte.
Diminuiu a proporção de crianças de 6 a 10 anos que frequentam a série adequada à sua idade no Brasil por mais um ano seguido. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira, 3, entre 2019 e 2024, esse indicador caiu de 95,7% para 90,7%, o que pode indicar um impacto persistente da pandemia de Covid-19.
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"Uma possível explicação para esse fenômeno seria um retardo na entrada das crianças na pré-escola, etapa obrigatória da educação infantil, ainda no período pandêmico, repercutindo no ingresso com atraso no ensino fundamental", diz trecho do levantamento do IBGE.
No grupo de 6 a 14 anos, o índice de atraso escolar ficou em 94,6%, ligeiramente abaixo do estabelecido no Plano Nacional de Educação (PNE), instituído por lei com metas para a educação brasileira, cujo prazo de cumprimento foi prorrogado para dezembro deste ano. Na Meta 2, está previsto que 95% das pessoas concluam o ensino fundamental na idade adequada.
Ainda com relação às crianças menores, em comparação a 2022, houve aumento no percentual de crianças de 0 a 5 anos de idade fora da escola por opção dos pais ou responsáveis. O motivo é citado por 59,9% dos pais de crianças de 0 a 3 anos e por 48,1% dos pais de crianças de 4 a 5 anos, mesmo a matrícula na educação básica sendo obrigatória a partir dos 4 anos de idade no País.
Por outro lado, constata-se queda no percentual dos demais motivos, incluindo daqueles que exprimem falhas na oferta da educação básica, tais como: não tem escola/creche na localidade; falta de vagas; e escola não aceita a criança em razão da idade.
Somados, em 2024, esses motivos totalizaram 33,3%, em relação às crianças de 0 a 3 anos e 39,4% às de 4 a 5 anos de idade. A Região Norte se sobressaiu na falha de cobertura: 41,2% das crianças de 0 a 5 anos que não frequentavam a escola estavam nessa condição por falta de escolas, vagas ou por não terem sido aceitas em razão da idade.
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