MEC cancela viagem de olavistas para Paris em novo episódio da crise na educação

Comitiva de três assessores ligados a Olavo de Carvalho iria para a capital francesa em viagem bancada pelo governo

3 abr 2019
11h19
atualizado às 22h55
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BRASÍLIA - Imerso numa crise que já derrubou três secretários-executivos, o Ministério da Educação (MEC) decidiu cancelar uma viagem que três assessores fariam a Paris neste mês para tratar de assuntos classificados como "laterais" da área do ensino. O recuo ocorreu após uma reportagem publicada pelo Estado, na terça-feira, 2, que revelou a autorização dada pela pasta para bancar custos de passagens aéreas e diárias da equipe, entre os dias 6 e 14 deste mês, na capital francesa.

A viagem causou incômodo, já que o MEC teve o orçamento cortado em R$ 5,839 bilhões na semana passada - o maior entre todos os ministérios. Despacho publicado nesta quarta, 3, no Diário Oficial da União, tornou sem efeito autorização para o deslocamento da comitiva, integrada por Bruna Luiza Becker, assessora especial, Mariana Nascimento Santos, chefe interina da Assessoria Internacional da pasta, e Murilo Rezende Ferreira, assessor do gabinete do ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Todos são ligados ao escritor Olavo de Carvalho.

Ministério da Educação cancelou a viagem a Paris de três assessores
Ministério da Educação cancelou a viagem a Paris de três assessores
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado / Estadão

O grupo visitaria as instalações da Casa França - Brasil, participaria de reunião com a delegação brasileira junto à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e de uma sessão do Education Policy Committee (EDPC).

O despacho que cancelou a viagem foi assinado por Ricardo Machado Vieira, secretário-executivo do MEC, segundo posto na hierarquia da pasta. Tenente-brigadeiro, ele assumiu o cargo na semana passada, em meio à disputa entre militares e "olavistas" por influência e espaço na estrutura do MEC.

No momento, o ministro Vélez Rodrigues tenta se segurar no comando do MEC. Desde que assumiu em janeiro, ele fez mais de 15 exonerações para acabar com a disputa interna no ministério. Vélez Rodríguez, no entanto, não tem conseguido preencher essas vagas, o que tem causado paralisia em setores estratégicos da pasta.

Envolvido em polêmicas desde que assumiu o cargo, o ministro Vélez Rodrigues tenta se segurar no comando do MEC. Desde janeiro, ele fez mais de 15 exonerações para acabar com a disputa interna no ministério. Vélez Rodríguez, no entanto, não tem conseguido preencher essas vagas, o que tem causado paralisia em setores estratégicos da pasta.

No Palácio do Planalto, o grupo de ministros próximo ao presidente Jair Bolsonaro prevê que Vélez Rodríguez deixe o cargo mais à frente, quando o clima entre militares e "olavistas" esfriar na pasta e o governo encontrar um substituto. Bolsonaro busca um nome que não desagrade especialmente à bancada evangélica.

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