A origem da Olimpíada
Apesar de assinalarmos 776 a.C. como o ano dos primeiros jogos (equivalia ao ano zero no antigo calendário grego) em Olímpia, na Grécia Peloponésica, ninguém sabe o ano exato dos seus começos. As pistas literárias e arqueológicas que dispomos indicam que eles derivaram dos jogos fúnebres que os guerreiros gregos organizavam entre si em homenagem a um heroico companheiro morto em combate.
Logo, suas raízes são remotíssimas e datam de século absolutamente incerto.
A trégua olímpica
Conta a tradição grega que a cada aproximação dos jogos olímpicos, um dos quatro jogos esportivos que ocorriam na Grécia (outros eram disputados em Delfos, Nemene e Corinto, ditos jogos ístmicos), um emissário, chamado de spondorophoroi, percorria as regiões da Hélade e anunciava nas cidades a trégua, a ekcheiria (que significava "aperto de mãos"), momento sagrado em que todos, mesmo os que em guerra estivessem, deveriam baixar e guardar as armas para competirem pacificamente nos embates esportivos que se davam em Olímpia, na região da Elida, situada no noroeste do Peloponeso.
E assim obedeciam porque os jogos eram dedicados a Zeus, o deus-pai de todos os gregos, e não de uma divindade local qualquer. Acreditavam que o mensageiro peregrino, um arauto com um grande bastão que andava de cidade em cidade, era um porta-voz da deidade e que suas palavras clamando pela paz necessária eram-lhes sopradas pelo próprio todo-poderoso Senhor do Olimpo.
Em pouco tempo, gregos vindo da Ática (Atenas), da Eubéia, da Beócia, da Fócida, do istmo de Corinto, da Grécia Jônica, de Creta, da Lacedemônia (Esparta), de Argos, da Arcádia, de Lócris, da Messênia, da Élida, de todas as ilhas do Egeu, e até do exterior, chegados da Sicília e do sul da Itália, apresentavam-se na pequena vila de Olímpia, para o grande agón - a luta, a disputa. Aqueles atletas todos, vindos de 300 lugares diferentes, lá estavam na esperança de poder subir no pódio como vencedores. Ocasião em que ostentavam frente ao público, que por vezes chegava à 40 mil espectadores, a coroa feita com ramos de oliveira que os juízes colocavam sobre sua testa ao término de uma prova em que se consagravam.
O juramento a Zeus
Nas vésperas das disputas, os parentes dos competidores, seus treinadores, os aurigas e, depois, eles próprios, apresentavam-se na Sala do Conselho para prestar um juramento coletivo. Ali se comprometiam a manter a mais completa lisura durante o procedimento esportivo. Nada de falsidades ou de subornos, nada de tentar maldosamente afastar ou eliminar um concorrente perigoso.
Juramento este que era obrigatoriamente estendido aos fiscais e aos 10 juízes que formavam os quadros olímpicos. Para reforçar as penalidades advindas de uma possível delinquência, o interior da sala do juramento sagrado estava repleta com estátuas de Zeus. Em todas elas ele empunhava um ameaçador raio com que, acreditavam eles, o soberano dos céus, fulminaria o infrator.
Para se garantir ainda mais da sinceridade das coisas, era leitura obrigatória da parte dos concorrentes alguns versos elegíacos intimidadores que estavam afixados numa placa de bronze aos pés do Deus do Juramento. Talvez o seu conteúdo, do juramento e da ameaça, não fosse muito diferente daquele registrado por Homero (A Ilíada, Canto XVIII), quando Agamêmnon diz "(...) que os deuses me castiguem, enviando-me os tormentos com que castigam o que peca contra eles jurando em falso".
Feito isso, dava-se o sinal para que os antagonistas se apresentassem no cenário das provas.