Greve na USP: servidores aceitam proposta da reitoria para encerrar paralisação
Acordo depende de formalização; estudantes que aderiram ao movimento ainda vão discutir pauta própria
Os servidores da Universidade de São Paulo (USP) aceitaram, em assembleia nesta quinta-feira, 23, as propostas feitas pela reitoria para encerrar a greve iniciada há nove dias.
A formalização depende da assinatura do acordo com os termos negociados, o que deve ocorrer nesta sexta-feira, 24.
Entre eles estão o agendamento de uma reunião com os estudantes, que engrossaram o movimento e ainda estão em greve. Além disso, o documento deve formalizar que não haverá punição ou descontos pelos dias de greve.
A paralisação foi iniciada na terça-feira, 14. Os funcionários reagiram contra um acréscimo de R$ 4.500 no salário mensal de docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. É a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Grace).
Na visão dos servidores, a gratificação exclusiva aos professores fere a isonomia. A reitoria fez uma proposta na quinta-feira, oferecendo o mesmo total destinado aos docentes para que fosse dividido entre os funcionários. Na prática, isso significa uma gratificação de até R$ 1.600 mensais a todos os funcionários.
Magno de Carvalho, diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), considera a greve vitoriosa. "A universidade não funciona só com os professores. Precisamos parar as atividades para mostrar a importância dos funcionários. Conseguimos alcançar nossos principais objetivos".
A assembleia desta quinta-feira foi tensa, sem unanimidade. Parte da categoria se posicionou contra a aceitação do acordo, tentando convencer os colegas a manter a mobilização.
Pedidos dos estudantes
Os estudantes também entraram em greve, pedindo melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas, e cobram melhorias na qualidade dos serviços dos restaurantes universitários.
Pelo menos 15 faculdades e institutos da USP, da capital paulista e no interior, participam da paralisação. O movimento tem apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
A Reitoria da USP informou que está previsto investimento de cerca de R$ 461 milhões ao Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia quase 16 mil alunos.
A reitoria afirmou ainda que realizou reunião com representantes das entidades estudantis e que propôs a criação de grupos de trabalho para tratar das demandas dos alunos.
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