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Falta de investimentos restringe acesso à educação, diz Ipea

19 jan 2010 - 14h12
(atualizado às 16h34)
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A baixa efetividade dos jovens no ensino fundamental está diretamente ligada à falta de investimentos na área no País, segundo avaliações do livro Juventude e Políticas Sociais no Brasil, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisa a situação educacional dos jovens brasileiros. Conforme a publicação, a parcela considerável de crianças que ingressa na juventude com elevada defasagem educacional é resultado da carência de recursos para qualificar e ampliar processos de gestão e coordenação de ações.

Em 2007, a taxa de analfabetismo entre os jovens de 15 anos era de 1,7%
Em 2007, a taxa de analfabetismo entre os jovens de 15 anos era de 1,7%
Foto: Getty Images

As defasagens são agravadas pelas precárias condições socioeconômicas, que concorrem para manter baixo o rendimento dos estudantes e ampliar as taxas de abandono escolar. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2005 pelo IBGE, 38,7% das pessoas analfabetas, com 15 anos de idade ou mais, já haviam frequentado a escola. Esta proporção elevou-se para 44,8% em 2007, o que corresponde a 6,3 milhões de pessoas.

"A despeito do nosso atraso, o fato de estarmos fazendo agora de forma mais abrangente e articulada (uma política em favor dos jovens) tem nos permitido fornecer condições muito melhores para a juventude que as outras gerações de jovens. Há muito o que fazer", ressaltou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, apontando as décadas de 1980 e 1990 como exemplos da defasagem dos jovens em relação à educação.

"As décadas de 1980 e 1990 foram décadas muito difíceis para a juventude brasileira. Não só o mercado de trabalho cresceu muito pouco, mas cresceu muito pouco para os jovens. Talvez não tenhamos tido duas décadas tão difíceis e tão dramáticas para os jovens brasileiros", disse.

Outra decorrência do fracasso do ensino fundamental é o ingresso anual de jovens com 15 anos de idade no contingente de analfabetos. Em 2007, a taxa de analfabetismo entre os jovens desta idade era de 1,7%, totalizando o ingresso de 58,3 mil novos analfabetos.

Devido a estes fatores, o Ipea considera crucial melhorar a qualidade do ensino fundamental, especialmente no que se refere à efetividade dos processos de alfabetização nas séries iniciais, para reduzir a incidência do analfabetismo entre jovens.

EJA: pouca oferta, muita demanda

Apesar do reconhecido padrão de qualidade, a Educação para Jovens e Adultos (EJA) registra baixo atendimento na relação entre matrículas e uma estimativa da demanda potencial, composta pelos jovens que frequentam o ensino médio regular e a EJA. Para o Ipea, a oferta de educação profissional técnica não só é reduzida como também é bastante concentrada e desigual.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2005, apontam que apenas 10,9% desta demanda potencial foi atendida, havendo uma pequena melhoria em 2006, quando o atendimento chegou a 11,4%. De acordo com números do Censo Escolar, produzido entre 2005 e 2006, o total de matrículas em cursos do EJA de nível médio obteve uma ampliação de aproximadamente 707 mil para quase 745 mil estudantes - o que corresponde a um aumento de 5,3%.

Quase metade das matrículas estão concentradas na faixa etária de 18 a 24 anos e os jovens representam cerca de 80% desse total. Já os adultos com mais de 30 anos, mesmo integrando um grupo com maior universo populacional, respondem por apenas 20% das matrículas.

Fonte: Redação Terra
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