Empresas ajudam a pagar alunos de olho em mais profissionais no mercado

O candidato à Alpha EdTech passará por minicursos preparatórios e participará de avaliações diagnósticas e de perfil. Nos primeiros seis meses, haverá somente aulas online

2 nov 2020
05h10
atualizado em 4/11/2020 às 16h23
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No processo seletivo, o candidato à Alpha EdTech passará por minicursos preparatórios e participará de avaliações diagnósticas e de perfil. Após aprovado, o aluno terá uma grade curricular extensa, com aulas de segunda a sábado, o que vai requerer ao menos 8h de dedicação diárias, ao longo de três semestres.

Nos primeiros seis meses, haverá somente aulas online. A partir do segundo ciclo, o estudante passa a atuar em empresas parceiras, as quais vão prestar informações sobre a sua evolução e o que precisa ser aprimorado na qualificação. As atividades do programa são variadas e incluem resolução de desafios, desenvolvimento de projetos, participação em competições, aulas de inglês, webinars com empresários e entrevistas semanais.

De acordo com Nuricel Villalonga, CEO e fundadora do Instituto Alpha Lumen, a vantagem de o curso ser digital é a possibilidade de dar oportunidades a todos, sem limites geográficos. "Quando chegar a hora da prática, a pessoa poderá, por exemplo, trabalhar remotamente. Essa lógica de ensino, que antes da pandemia era vista como algo ineficaz, não deixa mais dúvida. Tanto empresas quanto instituições, agora, entendem que é uma solução possível."

Ao final da capacitação, no terceiro semestre, o aluno se tornará um profissional sênior e estará integralmente dedicado à prática. "Ele termina com certificado de programador, portfólio e um emprego na empresa que o acompanhou. Esperamos que se torne embaixador do projeto e orientador de novas turmas", acrescenta Nuricel.

Em 2021, a Alpha EdTech prevê abrir vagas para pessoas que não estão em situação de vulnerabilidade social, porém, mediante contribuição. O valor dependerá de uma avaliação socioeconômica do candidato. Na experiência da fundadora do Alpha Lumen, essa interação entre públicos contribui para a formação de todos.

Para trazer uma visão mais próxima do que o mercado de trabalho necessita, a Alpha EdTech conta com apoio de empresas, ONGs e profissionais voluntários. Muitos deles foram ex-alunos do Instituto Alpha Lumen. É o caso de Rebecca Calazans de Brito, de 26 anos, que se formou em engenharia de computação pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e, hoje, trabalha na Microsoft.

"A tecnologia é um campo importante e está em crescimento, o que é uma oportunidade para muitos, como foi para mim. Porém, ainda é elitizado. A maior parte das pessoas não tem conhecimento nem acesso aos cursos", destaca Rebecca, que está de home office na casa dos pais, em Parauapebas, no Pará. Quando a pandemia acabar, ela será transferida para Vancouver, no Canadá.

Entre as empresas que estão apoiando a Alpha EdTech, além da Stone, ainda há a Hash, Brex, Vitta e Farfetch, as quais ajudarão a construir as trilhas formativas, acompanharão de perto a capacitação dos alunos e poderão contratá-los ao fim do processo.

"Nossa maior dificuldade hoje é encontrar profissionais. Por isso, a proposta é fazer uma formação mais acelerada e bem qualificada para que o aluno possa, tão logo, estar empregado. É importante tornar esse conhecimento acessível, visto que essa é uma demanda global", explica Tacio Medeiros, sócio e cofundador da startup de saúde Vitta.

João Miranda, fundador e CEO da Hash, ainda destaca a necessidade de tornar o setor mais acessível e diverso. "O mercado de tecnologia é um dos que mais crescem, mas quem não teve uma boa base de ensino dificilmente tem conhecimento sobre esse conteúdo e não consegue se desenvolver", observa.

Essa foi a realidade de Samuel Porto, de 22 anos, até ele receber uma bolsa para cursar o ensino médio no Instituto Alpha Lumen. Atualmente, ele está no 6º período de engenharia de computação no Insper, onde recebe auxílio mensal, e também integra o corpo técnico da Alpha EdTech. "Tive o meu primeiro computador quando entrei para a faculdade", conta.

Filho de uma faxineira e de um operário industrial, ele estudou boa parte da vida em escolas públicas. "Certa vez, uma diretora disse à minha mãe que eu iria virar traficante e não daria em nada na vida. São coisas que a gente engole seco e usa como motivação", lembra ele, que ajudou a fundar o coletivo Raposas Negras no Insper.

Nem todos os seus amigos, no entanto, tiveram as mesmas oportunidades e, por isso, tomaram rumos diferentes. "Alguns nem estão aqui para contar a história", lamenta Samuel, que já fez estágio em grandes empresas, como Vórtex e BTG Pactual, mas acredita que seguirá a carreira acadêmica. "Acho muito nobre a profissão de educar. Por causa disso, consegui aprender. O Alpha me ajudou a desenvolver como pessoa e como profissional. Tenho um mundo ainda para conquistar."

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