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Dia Mundial do Professor: busca por licenciaturas cresce menos de 1%

Para tentar melhorar situação, governo criou programa de bolsas para jovens

5 out 2013 - 07h00
(atualizado às 07h00)
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A procura por cursos de licenciatura cresce em um ritmo muito lento no Brasil: o aumento do interesse na área entre 2011 e 2012 foi de apenas 0,8%. O baixo índice se reflete na educação básica da rede pública, que apresenta um déficit de 170 mil docentes. Os dados do Censo do Ensino Superior 2012, divulgados em setembro, mostram que, no mesmo período, a procura por bacharelados subiu 4,6%, enquanto a busca por tecnológicos, 8,5%. Do total, apenas 19,1% dos matriculados representam licenciaturas.

Para tentar melhorar a situação, o programa Quero ser cientista, quero ser professor, do Ministério da Educação (MEC), oferecerá, a partir de fevereiro de 2014, 30 mil bolsas de R$ 150 a estudantes de Ensino Médio que se dedicarem à monitoria e pesquisa científica e tecnológica. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já distribui atualmente 10 mil bolsas no Programa de Iniciação Científica Júnior. Somadas às que começarão a ser concedidas no ano que vem, o investimento girará em torno de R$ 66 milhões, sendo aumentado gradualmente até que se atinja a meta de 100 mil bolsas.

Para o professor de metodologia de ensino de química da Universidade Federal de Santa Catarina Carlos Alberto Marques, trata-se de uma boa iniciativa, pois valoriza tanto a pesquisa científica quanto o interesse pela área por parte dos jovens. O incentivo ao interesse por disciplinas como matemática, química, física e biologia é necessário para que os alunos se aproximem desses conteúdos, entende. "Aprender ciência é difícil. Ela tem que ser bem ensinada e os temas devem dizer respeito à vida cotidiana, questões tecnológicas, saúde, problemas ambientais. São disciplinas que exigem um esforço intelectual significativo e têm que ser tratadas de maneira mais próxima", defende Marques.

O professor cita ainda um fator curioso que contribui para o desinteresse na área: a descartabilidade dos produtos que usamos. Se antigamente as pessoas eram incentivadas a consertar os brinquedos e equipamentos quebrados, hoje apenas se descarta, perdendo-se a curiosidade pelas ciências exatas.

A professora do departamento de metodologias de ensino da Universidade Federal de São Carlos Denise de Freitas critica a transformação de disciplinas das ciências naturais em memorização e matemática. Esse processo, segundo ela, tira do aluno a possibilidade de ver a beleza da natureza.

Denise relata que é comum estudantes de cursos das ciências da natureza abandonarem a licenciatura. O provável motivo é que a carreira docente na educação básica não se mostra atraente e a sociedade não reconhece fortemente a profissão. "A gente reconhece a importância da educação, mas o professor é desacreditado, sua imagem não é a melhor para um profissional. Qual jovem quer seguir uma carreira que não tem grande sucesso? Quando optam por isso é pela função social", afirma.

Mauro Mendes Braga, professor do departamento de química da Universidade Federal de Minas Gerais, afirma que a área ainda é um tanto árida e há poucos profissionais em qualquer parte do mundo. "Nos Estados Unidos, a matemática é exercida principalmente por orientais e indianos". Quando se trata de licenciatura, além do pouco interesse pelo campo, pesa também a baixa valorização do professor. O problema não é somente a remuneração insuficiente, mas a ausência de reconhecimento da profissão por parte da sociedade. "O Brasil dá passos muito lentos. É preciso elevar o piso salarial e buscar um plano de carreira nacional", diz Braga. Salários nesses patamares de hoje não são atraentes para jovens que têm tantas opções, acredita Denise.

Exterior também enfrenta dificuldades

Alemanha e Inglaterra são exemplos na valorização dos professores, afirma Braga. "Mas até mesmo países pobres, como Cuba, conseguem uma abordagem da educação básica que é mais adequada à sociedade do que o Brasil", diz.

Marques relata que, ainda que se valorize a carreira científica, o desinteresse segue havendo por parte dos jovens europeus e americanos. São os países da Ásia os que melhor resolveram essa questão. Coreia do Sul e Japão têm sucesso no ensino de ciência, incentivando desde o ensino fundamental o estudo na área.

Líder no ranking de educação, a Finlândia também é espelho para a formação de professores. Há grande procura por docentes de química e física e a profissão está entre as mais populares. A cada 10 candidatos à carreira de professor apenas um consegue ingressar, tamanha à concorrência.

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