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Como um jogo online ajuda a capacitar jovens da periferia de SP para trabalhar com cultura

Projeto EconoArte oferece capacitação em produção de eventos, gestão cultural e noções de planejamento financeiro no Grajaú

30 mar 2026 - 05h57
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Projeto EconoArte oferece capacitação em produção de eventos, gestão cultural e noções de planejamento financeiro no Grajaú
Projeto EconoArte oferece capacitação em produção de eventos, gestão cultural e noções de planejamento financeiro no Grajaú
Foto: Divulgação

Em meio ao crescimento da economia criativa e da indústria de festivais no Brasil, iniciativas de formação voltadas para jovens da periferia buscam ampliar o acesso a oportunidades no setor cultural. Em São Paulo, o projeto EconoArte oferece capacitação em produção de eventos, gestão cultural e noções de planejamento financeiro para estudantes do Grajaú, na zona sul da capital.

A iniciativa é realizada pela Muda Cultural e está em sua segunda edição, com atividades entre março e abril deste ano. Ao todo, cerca de 60 jovens participam de oficinas presenciais no contraturno escolar, com conteúdos voltados à organização de eventos, comunicação, logística e orçamento.

Segundo o diretor geral da Muda Cultural, Ítalo Azevedo, a proposta surgiu da percepção de que a área de produção cultural ainda é pouco reconhecida como carreira profissional. “Era importante mostrar a produção cultural como uma profissão mesmo”, afirma. “Existe todo um caminho entre a ideia de um projeto e a sua execução, com diversas possibilidades de atuação.”

Durante a formação, os estudantes têm contato com diferentes etapas da realização de um evento, desde a concepção até a execução. A proposta inclui temas como montagem de estrutura, organização de equipes, estratégias de comunicação e controle financeiro.

Game simula criação de festival e transforma aprendizado em prática

Um dos diferenciais do projeto é o uso de um jogo educativo que simula a produção de um festival de música, desenvolvido em parceria com a Salve Games. Ao final do curso, os participantes aplicam os conhecimentos na prática por meio de um game na plataforma Fortnite. Na dinâmica, os participantes se organizam em grupos de até três pessoas, com cada integrante assumindo uma função específica, como gestão financeira, comunicação ou produção executiva.

Ao longo da atividade, os jovens tomam decisões sobre orçamento, contratação de serviços, estratégias de divulgação e estrutura do evento, incluindo escolha de local, montagem técnica e curadoria artística. As escolhas impactam diretamente o resultado final, que é avaliado dentro do próprio jogo.

Ao término da simulação, o sistema apresenta uma pontuação com base nas decisões tomadas, indicando o desempenho do grupo e possíveis melhorias. A proposta é permitir que os estudantes apliquem, na prática, os conteúdos trabalhados nas oficinas.

Além de integrar teoria e prática, o uso do game também dialoga com o universo digital dos jovens. A ferramenta é utilizada em sala de aula, com suporte completo de equipamentos, e busca mostrar como jogos podem ser utilizados como recurso pedagógico, ampliando o engajamento dos participantes.

"E, no final das contas, hoje em dia, em que a gente tem esse debate muito importante e pertinente sobre os jovens e o uso das telas, é também um olhar para o jogo como uma ferramenta educacional muito interessante. Existe muito mau uso da internet, mas também é importante que a gente tenha jogos que proporcionem esse tipo de aprendizado para os alunos, porque a gente sabe o quanto eles gostam e o quanto veem isso como um diferencial para participar", explica Azevedo.

O jogo está disponível gratuitamente na plataforma Fortnite e pode ser acessado em computadores e dispositivos móveis (iOS e Android). Para encontrá-lo, basta buscar pelo nome RealFest ou inserir o código 4085-2996-4598 na busca de ilhas.

Iniciativa dialoga com cenário de expansão 

O projeto também se insere em um cenário de expansão do setor. Após a retomada dos eventos presenciais no pós-pandemia, o Brasil tem registrado crescimento no número de festivais de música, que mobilizam não apenas artistas, mas também profissionais de áreas como logística, tecnologia, cenografia e gestão.

Para o diretor da Muda Cultural, um dos principais objetivos é ampliar o horizonte dos jovens em relação ao mercado de trabalho. “A gente não pode prometer que eles vão necessariamente trabalhar com cultura, mas o projeto tem esse papel inspiracional, de mostrar possibilidades e caminhos”, diz.

Ele cita o caso de uma participante de edições anteriores que conseguiu aprovar um projeto cultural em edital público após participar do projeto. “Não posso dizer que foi por conta do EconoArte, mas certamente as noções ajudaram a estruturar o projeto”, afirma.

Além das oficinas, o programa inclui atividades complementares, como visitas a espaços culturais e formação para educadores, com a proposta de integrar cultura, tecnologia e educação.

A segunda edição do EconoArte segue em andamento até o fim de abril. Segundo Azevedo, o formato das aulas, mais interativo, tem contribuído para o engajamento dos alunos. “Eles têm respondido muito bem. Não são aulas meramente expositivas, mas de dinâmicas que simulam situações reais da produção cultural”, diz. 

Ainda de acordo com ele, a expectativa é que os jovens cheguem ao final do curso com uma visão mais ampla sobre o setor e suas possibilidades. “É um momento muito inspiracional, de abrir portas e apresentar perspectivas para o futuro”, conclui.

Fonte: Portal Terra
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