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Aniversário do Rio de Janeiro: conheça mais da cultura e história da cidade

Fizemos duas entrevistas para o Aniversário do Rio Janeiro. Veja o que Luciene Carris, doutora em história pela UERJ, tem a dizer sobre a data.

1 mar 2024 - 08h07
(atualizado às 18h58)
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O Rio de Janeiro completa, hoje (1º de março), 459 anos. São séculos de história da Cidade Maravilhosa, repletos de cultura e de acontecimentos complexos que tiveram como palco uma das maiores cidades da América.

A capital do estado do Rio, que já foi capital do Brasil e sede do Império Português, tem muito para se entender. Para aproveitar a data de homenagem à cidade do Rio, fizemos uma série de entrevistas com autoras que escrevem e estudam sobre a casa dos cariocas.

Neste texto, você lê a entrevista com Luciene Carris, doutora em história pela UERJ e sócia do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.  Ela também é autora e coautora de livros sobre o Rio de Janeiro, como, "Histórias do Jardim Botânico: um recanto proletário na zona sul carioca" e "De colina sagrada a dente cariado: A modernidade carioca e o desmonte do Morro do Castelo (1822-1922)", entre outras obras.

 Confira o que descobrimos sobre a Cidade Maravilhosa!

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Foto: Canva / Brasil Escola

O nascimento do Rio de Janeiro

Primeiro, procuramos entender como foi o surgimento da cidade do Rio de Janeiro, há 459 anos. A historiadora nos conta que o nascimento da cidade foi sangrento; não muito diferente de como é, de fato, um parto.

Havia uma disputa acirrada entre portugueses e franceses que se aliaram a diferentes povos indígenas e travaram diversas batalhas. Os franceses estabeleceram um núcleo na Baía de Guanabara, conhecido como França Antártica, o líder deles era Nicolas Durand de Villegagnon.

Sobre os arranjos entre europeus e povo indígenas, a pesquisadora disse:

Os franceses se aliaram aos tamoios, uma confederação de vários grupos indígenas que habitavam o litoral, especialmente entre Rio de Janeiro e São Paulo, ocupavam a Baía de Guanabara. Há estimativas de pesquisadores contabilizando cerca de 70 mil indígenas nesse região toda. 

Um dos momentos marcantes foi a Confederação dos Tamoios (1554-1557), uma guerra que opôs os tamoios e seus aliados franceses, de um lado, e de outro, os portugueses e os seus aliados, os indígenas tupiniquins e temiminós. Os tamoios e os franceses foram derrotados, mas a história é sempre lembrada como uma forma de resistência indígena à colonização portuguesa

Em 1555, os franceses construíram o Forte Coligny, que acabou sendo, alguns anos depois, destruído pelos portugueses.

Nesse contexto bélico, o militar português Estácio de Sá desembarcou próximo do Morro Cara de Cão, que ficava entre a Fortaleza São João e o Pão de Açúcar. Neste local, a cidade foi fundada e nomeada como São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao rei de Portugal, Dom Sebastião e também ao santo homônimo.

Com a vitória ibérica e a expulsão dos franceses, o núcleo da cidade trocou de lugar por questões de segurança. Luciene diz:

A cidade subiu o Morro do Castelo, que possuía uma altitude de cerca 63 metros, e estava situado entre pântanos e lagoas, ocupando uma extensão de cento e oitenta e quatro mil metros quadrados.

Este local fica na região que compreende, atualmente, a Avenida Central, as ruas Santa Luzia, São José e Misericórdia. No local mais elevado e plano, foi estabelecida uma fortaleza, a Igreja de São João e outras edificações.

Influências culturais no Rio de Janeiro

Quisemos, também, entender mais sobre a complexa teia cultural que envolve as tradições e costumes dos cariocas. A escritora destaca que o Rio foi o destino tanto de movimentos migratórios internacionais como de dentro do Brasil. 

Segundo ela afirmou, há o legado da colonização portuguesa, dos africanos escravizados e trazidos a força por meio de tráfico humano, também há a chegada posterior de outros povos europeus, de comunidades árabes e asiáticas.

Além do grande fluxo de outras regiões do país, como o Nordeste. Luciene diz que é necessário entender o Rio de Janeiro dentro deste caldeirão cultural que se formou nos seus 459 anos de história. 

Cariocas e malandragem, o que significa essa relação?

Perguntamos também para Luciene, como surgiu a relação da cultura carioca com a malandragem, no sentido positivo da palavra que remete à esperteza e à sabedoria de lidar com as dificuldades que a vida impõe.

Ela nos conta que a associação entre samba e malandragem faz parte do imaginário da cidade. Mas que, também, não se pode esquecer das formas inaugurais de vida na cidade que, segundo a pesquisadora, estão presentes até os dias de hoje.

  Então, ela cita, como exemplos, várias referências culturais à malandragem:

  • Na literatura, com as crônicas de João do Rio e de Lima Barreto 

  • Na música, com as letras dos sambas de Bezerra da Silva e Noel Rosa, como a música "Conversa de Botequim"

  • No cinema, com o personagem Zé Carioca dos desenhos de Walt Disney

  • No teatro, com a "Ópera do Malandro" de Chico Buarque. 

Em seguida, Luciene explica que a malandragem carioca é uma forma de resistência e um estilo de vida. Desta forma, a malandragem é associada à sobrevivência nos locais mais pobres e marginalizados, que exigem esperteza e capacidade de se adaptar em situações muito adversas e inesperadas. 

Por fim, ela explica que com o passar do tempo, a imagem do malandro foi romantizada e incorporada à cultura popular e expressando a resistência e a identidade cultural do samba.

Rio de janeiro, a vitrine do Brasil

Procuramos entender como o Rio de Janeiro se tornou a cidade brasileira mais conhecida mundo afora e, muitas vezes, representante da cultura brasileira. A autora diz que isso está diretamente relacionado ao fato de, por muitos anos, o Rio ter sido a capital do Brasil.

Luciene diz:

Essa centralidade foi explorada em várias expressões culturais, como a música e o cinema, e depois, pela indústria do turismo. Apesar das conhecidas disparidades sociais, o Rio de Janeiro possui uma geografia especial, que também se tornou um símbolo. A cidade se localiza em uma faixa territorial limitada entre o mar, a Baía de Guanabara e os morros que a circundam.

A historiadora também comenta sobre o Carnaval (que acontece anualmente) e os Jogos Olímpicos de 2016. Eventos de alcance internacional e símbolos nacionais.

Rio de janeiro, o palco da história

Muitos eventos históricos aconteceram sob o solo carioca, por isso, quisemos saber, na opinião da doutora em história pela UERJ, quais os momentos mais marcantes que tiveram o Rio como palco. 

Ela começa dizendo que são muitos acontecimentos e cita os seguintes exemplos:

  • A vinda da Corte Portuguesa em 1808, que transformou a cidade na capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves; 

  • A Proclamação da Independência do Brasil em 1822, a população recebeu D. Pedro I no Campo de Santana, e a sua coroação foi na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé em frente à Praça XV; 

  • A Abolição da Escravatura, em 1888, atraiu milhares de pessoas para as ruas da cidade para festejar; 

  • As revoltas da Armada em 1893 e da Vacina em 1904 ocorreram nas ruas da cidade. 

Além destes, a Luciene ressaltou as manifestações do Comício da Central do Brasil em Março de 1964; também, o da Candelária, em 1984, em frente a Igreja da Candelária; no contexto do movimento de redemocratização do país, as Diretas Já. 

E por fim, a Cinelândia, que recebeu e, ainda recebe, importantes manifestações e atos populares

Eventos no aniversário do Rio de Janeiro

As comemorações na cidade do rio, segundo a pesquisadora, incluem várias festas, eventos culturais, shows, atividades ao ar livre e, em alguns casos e cerimônias oficiais. 

Ela disse:

Neste ano, o Museu da Cidade, na Gávea, terá uma programação especial e gratuita com roda de samba. A programação ainda inclui o Festival Ilumina Zona Oeste, uma feira gastronômica, além de rodas de samba e conversa, aliás, a programação está disponível na internet. 

Tradicionalmente, uma missa em Ação de Graças é celebrada no dia 01 de março, também ocorre o canto de "parabéns à cidade" e a distribuição de um enorme bolo entre os cariocas e turistas presentes. No tempo do Leonel Brizola aconteceu um baile público na Cinelândia.

Por Tiago Vechi

Jornalista

Brasil Escola
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