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Duas mulheres com a mesma doença rara de Lito Sousa alcançam metas de vakinhas

Patrícia e Rose enfrentam a Doença de Creutzfeldt-Jakob; após mobilização, campanhas conseguiram arrecadação necessária para custear cuidados e tratamentos Duas mulheres que enfrentam uma das doenças mais raras e agressivas conhecidas pela medicina agora têm um pouco mais de fôlego para seguir a luta

31 ago 2026 - 16h38
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Resumo
Campanhas de arrecadação para Patrícia e Rose atingiram suas metas, garantindo suporte financeiro para o tratamento da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurodegenerativa rara, agressiva e sem cura. Os recursos permitirão cobrir despesas essenciais com medicamentos, alimentação e cuidados contínuos, além de viabilizar novas avaliações médicas especializadas, oferecendo mais dignidade, assistência e alívio para as famílias no enfrentamento diário da enfermidade.

Patrícia e Rose enfrentam a Doença de Creutzfeldt-Jakob; após mobilização, campanhas conseguiram arrecadação necessária para custear cuidados e tratamentos

Metas de vakinhas de mulheres com a mesma doença de Lito são batidas
Metas de vakinhas de mulheres com a mesma doença de Lito são batidas
Foto: Vakinha / Vakinha

Duas mulheres que enfrentam uma das doenças mais raras e agressivas conhecidas pela medicina agora têm um pouco mais de fôlego para seguir a luta.

As vakinhas criadas para ajudar Patrícia e Rose, ambas diagnosticadas com Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), alcançaram suas metas de arrecadação.

As histórias das duas ganharam visibilidade após a divulgação das campanhas e mobilizaram pessoas que contribuíram com doações, compartilhamentos, mensagens e orações.

Para as famílias, o resultado representa mais do que o encerramento de uma campanha: significa conseguir manter cuidados, buscar novos caminhos e enfrentar uma doença que ainda não possui tratamento capaz de interromper sua evolução.

"Foi muito importante para nós", conta filha de Patrícia

Patrícia começou a apresentar os primeiros sintomas em setembro de 2025.

Segundo sua filha, Erika, vieram inicialmente a fraqueza e esquecimentos severos. A mãe passou a ter dificuldades para reconhecer pessoas, objetos e lugares e perdeu autonomia para atividades que antes faziam parte da sua rotina.

A suspeita inicial era de encefalite, mas o quadro continuou avançando.

Atualmente, Patrícia vive em Maceió (AL), enquanto Erika mora no interior do Paraná. A distância tornou os cuidados ainda mais complexos e levou a família a buscar ajuda para garantir assistência à mãe.

Depois da divulgação da campanha, a família conseguiu alcançar a meta.

Em um vídeo de agradecimento, Erika destacou o impacto que a mobilização teve para a família.

"A visibilidade que a matéria da Vaquinha trouxe para o caso da minha mãe foi muito importante."

Para ela, além dos recursos, a campanha ajudou a colocar a história de Patrícia diante de mais pessoas.

"Eu espero, do fundo do meu coração, que o tratamento seja encontrado, que os estudos avancem, que a gente consiga encontrar alguma luz no meio disso tudo."

A cunhada de Patrícia, Adriana, também agradeceu a quem participou da campanha.

Ela contou que a família precisou se adaptar a uma nova realidade desde o diagnóstico e que os desafios aparecem diariamente.

"Só nós que somos da família, que vivemos aqui o dia a dia, com todo santo dia um novo desafio, só a gente sabe."

Segundo Adriana, os recursos arrecadados foram de extrema importância para todos que acompanham Patrícia de perto.

Para Rose, a meta alcançada traz fôlego para a rotina de cuidados

A realidade de Rose também foi profundamente transformada pela doença.

Diagnosticada há cerca de dois anos, ela está acamada e depende de assistência constante.

Ao lado dela está Luís, seu marido, que deixou o trabalho para assumir os cuidados da esposa em tempo integral.

Sem uma fonte de renda fixa suficiente para cobrir todas as despesas, a família passou a enfrentar dificuldades para manter medicamentos, fraldas, alimentação, equipamentos e outros custos da rotina.

Com a meta alcançada, Luís explica que o dinheiro terá dois destinos principais.

Parte será utilizada para a manutenção das despesas da família. Outra parte será transformada em um fundo para buscar novas avaliações e acompanhamento de profissionais, incluindo neurologistas e psiquiatras.

A intenção também é investigar possibilidades de atendimento em centros que desenvolvem pesquisas relacionadas à doença.

"Com o atingimento da meta, a gente vai poder usar uma parte desse recurso pra manutenção das nossas despesas."

A outra parte, segundo ele, permitirá ampliar a busca por assistência especializada.

"A gente está criando um fundo pra estar buscando mais ajuda profissional, consultando outros profissionais, psiquiatras, neurologistas."

Uma notícia inesperada no quadro de Rose

Durante o depoimento, Luís também contou uma mudança que considera especialmente significativa.

Segundo ele, há cerca de um ano e meio o quadro de Rose não apresentou nova progressão, apesar de a DCJ ser uma doença neurodegenerativa progressiva.

Ele também relata que, diariamente, existem momentos em que Rose consegue interagir com ele e apresentar períodos de lucidez.

A nova médica que passou a acompanhar Rose percebeu essas interações durante uma consulta e solicitou novos exames, entre eles um eletroencefalograma, para avaliar a atividade cerebral e investigar possibilidades de intervenção.

Luís fala sobre a situação com cautela, mas também com esperança.

"A mim cabe cuidar, amar, cuidar e lutar. E a Deus cabe o resto."

O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob?

A Doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurodegenerativa rara associada aos chamados príons, proteínas capazes de provocar alterações no sistema nervoso.

A doença pode provocar uma deterioração rápida das funções neurológicas, afetando memória, coordenação motora, fala, movimentos e autonomia.

Existem diferentes formas de DCJ, sendo a forma esporádica responsável pela maioria dos casos. Também existem formas hereditárias e, mais raramente, casos associados a procedimentos médicos.

A doença não é transmitida por contato social cotidiano, como abraços, beijos ou compartilhamento de objetos.

Atualmente, não existe tratamento capaz de reverter ou interromper a evolução da DCJ. Os cuidados médicos são voltados ao controle dos sintomas, prevenção de complicações e suporte ao paciente e à família.

É justamente essa ausência de uma terapia capaz de combater diretamente a doença que torna a rotina dos cuidadores tão desafiadora.

Metas de vakinhas: quando a solidariedade vira cuidado

As histórias de Patrícia e Rose ganharam atenção em um momento em que suas famílias precisavam de ajuda para continuar oferecendo cuidados básicos e buscando assistência especializada.

Agora, as duas campanhas chegaram às metas de vakinhas.

Para Erika, a filha de Patrícia, o resultado trouxe algo que vai além do dinheiro arrecadado: a sensação de que a família não está sozinha.

Para Adriana, a cunhada, foi uma demonstração de compaixão de pessoas que sequer conhecem Patrícia pessoalmente.

E, para Luís, a campanha abriu espaço para planejar os próximos passos do cuidado de Rose.

"Quero agradecer a todas as pessoas que nos auxiliaram com doações, com orações, com mensagens de otimismo e de ânimo."

As metas de vakinhas foram alcançadas, mas as duas histórias continuam.

A doença permanece sendo um desafio diário. A diferença é que, agora, Patrícia e Rose seguem suas jornadas cercadas por uma rede de pessoas que decidiu ajudar.

E, diante de uma condição para a qual a medicina ainda busca respostas, essa rede pode significar a possibilidade de continuar cuidando, investigando e oferecendo às duas algo fundamental: tempo, conforto e dignidade.

Vakinha
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