Drones russos atacam infraestrutura e mantêm Kiev sob alerta
Pelo quinto dia seguido, enxames de drones russos atacaram Kiev e regiões vizinhas, atingindo infraestruturas e paralisando serviços essenciais. Ao mesmo tempo em que ambos os lados intensificam bombardeios a alvos econômicos mútuos e Moscou prepara ataques à rede energética ucraniana, o presidente Volodimir Zelenski manifestou otimismo quanto à retomada das negociações de paz após manter conversas construtivas com enviados dos Estados Unidos.
Enxames de drones provocam novos transtornos à população em ataques diurnos à capital ucraniana. Zelenski se diz otimista quanto à retomada das negociações de paz, após conversa com enviados dos EUA.Os ataques de drones russos contra Kiev e região entraram no quinto dia consecutivo nesta segunda-feira (31/08), com as sirenes de alerta soando de maneira quase ininterrupta, gerando transtornos na vida diária de milhões de pessoas.
Uma nuvem de fumaça pairava sobre a capital ucraniana na manhã desta segunda-feira. Em Brovary e Boryspil, na região de Kiev, os ataques aéreos atingiram vários armazéns e quatro pessoas ficaram feridas, informou o governador regional Tymur Tkachenko em seu perfil no Telegram.
Nas últimas semanas, Ucrânia e Rússiaintensificaram os ataques contra alvos econômicos. Moscou tem atingigo armazéns de grandes redes ucranianas de supermercados, dos Correios e de lojas de artigos domésticos, enquanto tenta se aproveitar da escassez de sistemas de defesa antiaérea capazes de abater mísseis balísticos.
A Ucrânia também tem atacado infraestruturas russas, incluindo armazéns das gigantes do comércio online Wildberries e Ozon, além de instalações petrolíferas e outros alvos.
Ataques diurnos geram novos problemas
O uso cada vez maior de enxames de drones durante o dia criou novos transtornos para os moradores de Kiev, paralisando o metrô e alterando a rotina diária. Dezenas de passageiros aguardavam em plataformas lotadas em Kiev a retomada dos serviços após a interrupção da circulação dos trens, que eram impedidos de cruzar o rio Dnipro durante os alertas.
Os danos causados a vários armazéns deixaram algumas prateleiras de supermercados vazias.
As aulas deveriam ser retomadas nas escolas nesta terça-feira, mas não estava claro se os pais enviariam seus filhos. As escolas têm abrigos antiaéreos e as aulas também podem ser realizadas online.
No entanto, cerca de um milhão de livros didáticos foram destruídos em ataques russos a editoras, o que pode atrasar as entregas para o início do ano letivo, informou no início do mês o Ministério ucraniano da Educação.
Ataques russos também causaram um incêndio em um terminal operado pela empresa privada de entregas Nova Poshta, na região sul de Odessa, informou o governador Oleh Kiper nesta segunda-feira.
Em julho, dois ataques de grandes proporções mataram quase 50 civis na Ucrânia. Na última sexta-feira, um bombardeio a um depósito de munições nos arredores de Kiev provocou explosões e matou 38 pessoas.
Rússia prepara ataques a infraestrutura energética
O Ministério da Defesa russo afirmou neste domingo que está preparando "ataques massivos" contra a infraestrutura energética da Ucrânia.
Durante a noite, a Rússia abateu 239 drones ucranianos em 14 regiões russas, além da Península da Crimeia - ocupada ilegalmente por Moscou desde 2014 - e do Mar Negro, informou o Ministério.
Um ataque com mísseis ucranianos na noite de domingo contra a cidade fronteiriça russa de Belgorod matou três pessoas, disse o governador regional interino, Alexander Shuvayev.
Outro ataque ucraniano feriu quatro pessoas no polo industrial de Ecaterimburgo, a quarta maior cidade da Rússia, localizada a mais de 2 mil quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
Zelenski otimista pela retomada das negociações
O presidente ucraniano Volodimir Zelenski afirmou neste domingo que os constantes ataques com drones visam desgastar os ucranianos. Ele disse que, em quatro dias, a Rússia lançou quase 1,5 mil dessas aeronaves não tripuladas contra a Ucrânia, mais da metade movidas a jato.
Os esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra estão paralisados, depois de poucos avanços no ano passado em questões-chave, e com a atenção de Washington voltada para a guerra com o Irã.
Zelenski se diz ansioso para retomar as negociações, e afirmou que teve uma conversa "detalhada e construtiva" nesta segunda-feira com os enviados do presidente dos EUA, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner.
"É importante ressaltar que o diálogo entre as equipes de negociação dos EUA e da Ucrânia continua o tempo todo, e agora estamos discutindo a definição das datas da visita de Witkoff e Kushner à Ucrânia", disse Zelenski em postagem nas redes sociais.
rc (AP, Reuters)
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