Negociações sobre tarifaço são retomadas após conversa entre Lula e Trump
Governo dos EUA sobretaxou novamente produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano
As negociações sobre o chamado “tarifaço” foram retomadas nesta segunda-feira, em reunião virtual entre autoridades de Brasil e Estados Unidos. A conversa resultou do telefonema entre os presidentes Lula e Donald Trump, no dia 21 de agosto, quando os dois concordaram em reatar as discussões sobre o tema.
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Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços conversaram com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, para avançar nas negociações sobre as novas tarifas impostas por Washington aos produtos brasileiros.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o governo brasileiro mostrou-se aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com o histórico de amizade e parceria comercial que marcam as relações entre os países.
O lado brasileiro também reforçou que não concorda com as medidas impostas pelos EUA, e que elas não seriam compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Além disso, os representantes brasileiros defenderam que as justificativas do governo americano “não correspondem às efetivas práticas”.
Durante o encontro, as partes concordaram em voltar a se reunir a nível ministerial para dar sequência às tratativas nas próximas semanas.
O governo dos EUA, por sua vez, respondeu que está “à disposição” para conversar sobre o tema, mas não indicou se haverá reversão ou não.
Confira a nota publicada pelo MRE e o MDIC à imprensa:
"Como consequência das conversas mantidas pelos presidentes Lula e Donald Trump, os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reuniram-se, de maneira virtual, na tarde desta segunda-feira (31/08), com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
O objetivo da conversa foi o de avançar nas negociações em torno de duas decisões recentes dos EUA em aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países.
Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil.
As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas.
Admitiu-se, ainda, que as próximas reuniões sejam virtuais ou presenciais. O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional."
Histórico dos tarifaços
Os EUA anunciaram, ao todo, dois tarifaços sobre produtos brasileiros vendidos no mercado norte-americano:
- Sobretaxa de 25%, em razão da Casa Branca enxergar práticas desleais do Brasil contra empresários americanos em setores da economia (como PIX, desmatamento e etanol);
- Sobretaxa de 12,5%, em razão da Casa Branca entender que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas em regiões onde há trabalho forçado.
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