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Projeto social lança campanha por doações para manter cursos que atendem milhares de jovens em áreas de risco no Rio

18 mai 2018
11h58
atualizado em 29/5/2018 às 12h55
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Em meio à situação de risco social em que se encontram milhares de crianças e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, uma das organizações mais importantes, que há 11 anos presta assistência educacional e psicopedagógica a mais de 500 crianças e jovens moradores do Complexo da Maré, Alemão, Ramos, Gardênia Azul e Bonsucesso pode ter parte de suas atividades encerradas este mês.

A ASBEPE - Associação Beneficente Projeto Elikya, mantida essencialmente com recursos da iniciativa privada, lança uma campanha para doação de recursos através do site http://asbepe.org. O objetivo é dar continuidade ao projeto "Prepara Elikya" de capacitação profissional de jovens de 15 a 18 anos destas comunidades.

A coordenadora da ONG, Andréa Siqueira, ressalta que, mesmo contando com o principal apoiador - a empresa de ônibus UTIL, ainda há a necessidade de maior engajamento pela sociedade civil a fim de manter este trabalho. "Precisamos de recursos para manter cursos essenciais que permitem a estes jovens a continuidade no processo de conclusão do ciclo escolar e a capacitação para o ENEM, concursos públicos e mercado de trabalho", explica Andréa.

Os cursos foram criados no início deste ano em função de uma demanda dos moradores destas comunidades e, também, pelo alto índice de abandono dos estudos de jovens desta faixa etária, segundo Andréa. "Tendo em vista questões de vulnerabilidade sócio financeiras sob as quais vivem, os jovens optavam por trabalhos precários dada a necessidade de contribuição para renda familiar, ou o pior, a sedução e cooptação dos mesmos por facções", declara. Amparada na certeza de que a única forma de evitar o descaminho dessas crianças e jovens, a ASBEPE iniciou a realização de cursos técnicos, de línguas e preparatórios ao ENEM e para concursos.

A Associação Beneficente Projeto Elikya (ASBEPE) é uma Organização da Sociedade Civil, criada 2005, por um grupo de dez empreendedores, entre eles a atual Diretora Executiva Andréia Siqueira de Paula. A ONG, que funciona em Ramos, possui, hoje, uma estrutura de atendimento que comporta uma biblioteca, laboratório de informática, uma pequena quadra poliesportiva e salas diversas. A instituição atende, desde a sua fundação, milhares de crianças de 4 a 14 anos com aulas de reforço escolar, de inglês, de informática, de educação física, de artes e teatro, além de oficinas diversas e suporte psicológico. "Nós operamos de 9 às 22h porque queremos tirar essas crianças da ociosidade das ruas, onde elas estão vulneráveis. Nosso objetivo é não somente trazer conhecimento, mas também um senso de comunidade, de educação e de caráter para elas", complementa Andréa.

O Brasil possuí, atualmente, cerca de 30 milhões de jovens e adolescentes em idade escolar. 7 milhões provém de lares situados abaixo da linha da pobreza, ou seja, com renda per capita de aproximadamente meio salário mínimo e sem escolaridade. Ainda de acordo com os dados do IBGE, são 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 que não concluíram os estudos (52% sequer concluem o ensino fundamental).

Como começou o trabalho da ASBEPE - A ONG foi criada a partir do desejo da missionária Andreia Siqueira de abrir uma escola em Angola, na África. Adotada por uma angolana residente no Brasil, Andreia sempre teve uma ligação forte com o país africano. Foi em uma de suas visitas ao país que começou a sonhar com uma escola que levaria educação a crianças que viviam em condições extremas de pobreza e violência, sem condição de quebrar o ciclo de ignorância e falta de investimento na região. No entanto, mesmo tendo procurado parceiros durante alguns anos, Andreia não conseguiu fazer seu sonho sair do papel. Moradora de Bonsucesso, pouco a pouco Andreia teve seus olhos abertos para a triste realidade das crianças brasileiras moradoras do Complexo da Maré, comunidade que beira a Linha Amarela. Observou o alto índice de crianças e jovens vulneráveis à realidade da dependência de drogas e álcool, e consequentemente, de violência, como as crianças da África. "Conversando com elas, eu percebia que a maioria não tinha uma boa estrutura familiar e muito menos um bom aproveitamento escolar, pois, dentro do sistema de escolas públicas, elas eram aprovadas automaticamente, gerando jovens com praticamente nenhuma capacidade de competir no mercado de trabalho. Foi quando entendi que eu também poderia fazer algo por essas crianças através da educação", diz a missionária.

Sobre a UTIL - A empresa opera as principais ligações rodoviárias do Sudeste e movimenta cerca de 2 milhões de passageiros/ano. É atualmente a principal mantenedora da instituição, cuja sede fica próxima à uma de suas garagens, em Bonsucesso. Além de apoio financeiro, a UTIL fornece mensalmente alimentação e material escolar para os cursos oferecidos pela ONG como os de reforço escolar, informática, artes e educação física.



Website: http://asbepe.org
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