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Os caminhos descobertos que a crise trouxe nos hospitais durante a pandemia

Ocorreram mudanças: estruturais, comportamentais e a necessidade diária de adaptação, seja por parte da sociedade e das instituições

25 set 2020
14h42
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A pandemia causada pelo vírus da Covid-19 trouxe uma crise mundial em vários setores, inclusive dentro de hospitais, segundo o enfermeiro Eduardo Cinel Borzacchini, especializado em cuidados intensivos e de emergência à criança e ao adolescente e membro da American Association of Critical-Care Nurses. "Acredito que o coronavírus, além de muita dor e perdas, trouxe também muitas mudanças, sendo elas estruturais, comportamentais e a necessidade diária de adaptação, seja por parte da sociedade e das instituições".

Foto: DINO / DINO

As mudanças e adaptações citadas pelo enfermeiro já começam a partir das perdas e ausências temporárias do próprio quadro de profissionais, como informa um balanço do Ministério da Saúde, na última semana de agosto, apontando que, desde o início da pandemia, 226 profissionais de saúde morreram e outros 257 mil foram infectados pelo novo coronavírus. Ainda segundo o Ministério da Saúde, entre as mortes em decorrência da Covid-19, as categorias mais vitimadas foram os técnicos e auxiliares de enfermagem (38,5%), médicos (21,7%) e enfermeiros (15,9%). Já entre os casos, os mais atingidos foram técnicos e auxiliares de enfermagem (34,4%), enfermeiros (14,5%), médicos (10,7%) e agentes comunitários de saúde (4,9%).

Eduardo, com longa experiência em liderar grupos de profissionais, afirma que dentro dos hospitais vem acontecendo mudanças estruturais importantes e em um curto período de tempo. Mudanças essas que, muitas vezes, levariam anos para acontecer e por conta da pandemia, profissionais da saúde tiveram que aprender a trabalhar efetivamente em equipe. "A Covid-19 é uma doença que atinge o paciente de uma forma mais abrangente, não tendo um diagnóstico único, necessitando de uma equipe multidisciplinar que realize o tratamento de forma efetiva". O enfermeiro explica que uma equipe multidisciplinar em saúde tem profissionais como médicos, especialistas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e psicólogos que realizam um trabalho em conjunto para chegar ao melhor resultado de recuperação com os pacientes.

Outro ponto positivo que o profissional destaca é a necessidade de atualização sobre a doença. "Toda equipe estabeleceu uma rede de relacionamento mais estreita não só com os colegas do seu trabalho da sua cidade, mas também de outros países, visto que as experiências vividas por profissionais de outras regiões são muito valiosas para a prevenção e tratamento da doença".

Ao coordenar uma equipe em meio à crise, relata Borzacchini, é essencial ter um canal de comunicação eficaz e periódico, estabelecendo a confiança e transparência com todos os profissionais envolvidos. "Acredito na liderança pelo exemplo, estimulando que cada membro da equipe seja protagonista nas mudanças positivas que a crise trouxe, por meio de suas atitudes, reforçando e estimulando a busca do conhecimento técnico e ajudando cada um a enxergar principalmente o propósito e a importância do papel dele e de suas ações dentro da equipe neste processo tão valioso que é a vida", finaliza Eduardo.

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