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Cirurgia metabólica ganha espaço no tratamento e controle do diabetes tipo 2

Pacientes têm uma alternativa segura para o tratamento da doença com benefícios imediatos

18 jun 2019
17h06
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No Brasil, mais de 13 milhões de pessoas são diabéticas, o que representa 6,9% da população, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Atualmente, o país ocupa o quarto lugar entre as dez nações com o maior número de indivíduos portadores da doença, e a tendência é que essa estatística cresça, principalmente os casos de diabetes tipo 2, o mais prevalente e que está associado à obesidade. Mas à medida que a doença avança, as possibilidades de tratamento também, como é o caso da cirurgia metabólica, que vem ganhando espaço no controle do diabetes tipo 2.

A Dra. Luciana El-Kadre, cirurgiã e coordenadora do Centro de Diabetes e Obesidade do Hospital São Lucas Copacabana, explica que a cirurgia metabólica é uma alternativa segura para o tratamento do diabetes tipo 2, tendo em vista que ele provoca o aumento dos hormônios benéficos que ajudam a normalizar a glicemia no sangue.

Desde de 2017, quando foi aprovado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o tratamento cirúrgico do diabetes é indicado para pacientes obesos grau I, com Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 30 e 35 e que não tiveram sucesso com o tratamento clínico convencional, como o uso de insulina e medicamentos, dieta ou mudança no estilo de vida. "Diversos estudos comprovaram que a cirurgia metabólica traz benefícios à saúde. Com a remissão do diabetes, evitam-se complicações graves, como cegueira, insuficiência renal, esteatose hepática, infarto agudo do miocárdio e AVC", explica a médica.

A cirurgia metabólica ocorre no aparelho digestivo e visa produzir hormônios que otimizem a produção de insulina pelo pâncreas, como explica Fernando de Barros, cirurgião bariátrico e coordenador de Cirurgia Robótica do Hospital São Lucas: "As técnicas utilizadas na cirurgia do diabetes tipo 2 são semelhantes às da cirurgia bariátrica. No caso da cirurgia metabólica, o tratamento busca mais a remissão do diabetes tipo 2, enquanto a cirurgia bariátrica tem como objetivo principal a perda de peso e, consequentemente, o controle das doenças associadas à obesidade.".

Durante décadas de experiência com a cirurgia bariátrica, pesquisadores observaram que, mesmo antes de os pacientes perderem peso, algumas comorbidades associadas já entravam em remissão, como o diabetes tipo 2. Com isso, dezenas de pesquisas sobre a cirurgia em pacientes diabéticos tipo 2 com sobrepeso e obesidade grau 1 (IMC entre 30 e 35) começaram a ser realizadas no mundo inteiro. Com base nesses trabalhos publicados nos últimos anos, o CFM divulgou então uma resolução autorizando a cirurgia para pacientes com IMC entre 30 e 35, fato que foi considerado, pela comunidade médica, uma excelente opção de tratamento efetivo para pessoas portadoras de diabetes.

Benefícios imediatos

As vantagens da cirurgia metabólica são vistas já nas primeiras semanas após a cirurgia, o que ajuda a controlar a glicose e retira as medicações usadas pelo paciente, o que, certamente, a longo prazo, trará aumento da expectativa de vida dos portadores de diabetes. Como é o caso de Maria das Graças de Melo, de 67 anos, diagnosticada há 10 anos com diabetes tipo 2 e com graves sequelas da doença.

A paciente foi submetida a cirurgia metabólica feita com a tecnologia robótica pelo Dr. Fernando de Barros. Segundo ele, já no primeiro dia após a realização da cirurgia, a glicemia da paciente estava sob melhor controle sem a necessidade do uso de insulina de maneira regular. Já com uma semana de cirurgia, Maria das Graças estava livre da medicação diária para o diabetes. O procedimento foi feito pela tecnologia robótica, o que facilitou ainda mais a recuperação pós-operatória.

Outro benefício imediato seria a redução dos custos com o tratamento do paciente diabético. Fernando explica que os gastos do tratamento convencional com insulina e remédios são altos e podem ser evitados com a cirurgia metabólica.

Além disso, o diabético está suscetível a internações hospitalares e, em casos mais graves, por causa das complicações da doença, pode ter que recorrer a procedimentos de alto custo, como hemodiálise em casos de insuficiência renal e revascularização do miocárdio no caso de infarto. Até o momento, a cirurgia metabólica não é coberta pelos planos de saúde, pois não está inclusa no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

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