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Dia do cão idoso: psicóloga aponta as mudanças de comportamento e adaptação da rotina

Saiba identificar as mudanças sutis no seu cão sênior e entenda como adaptar a rotina para garantir saúde e bem-estar

1 out 2026 - 21h49
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Resumo
O envelhecimento canino traz mudanças físicas e comportamentais, como mais sono e lentidão, que exigem adaptação na rotina e atenção dos tutores. Segundo a psicóloga Juliana, alterações de conduta, muitas vezes rotuladas erroneamente como teimosia ou manha, podem indicar dor, desorientação ou perda auditiva e devem ser avaliadas por um veterinário. Para manter o vínculo e o bem-estar do pet, é essencial preservar sua autonomia, ajustar os rituais diários e cuidar também da saúde de quem o assiste.

O focinho do cão ficou grisalho, as horas de sono são mais longas, a dificuldade para subir no sofá ou a ausência na porta quando alguém chega são indícios que o pet já não é o mesmo de alguns anos atrás.

O acompanhamento veterinário é fundamental nessa etapa
O acompanhamento veterinário é fundamental nessa etapa
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Para a psicóloga

Juliana Sato

, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, a chegada do envelhecimento também provoca mudanças na relação entre o cão e sua família.

"Esse reconhecimento raramente é gradual. Ele costuma vir de repente, a partir de um detalhe. Nesse instante, a família entende que o tempo passou, e isso mexe com ela"

, explica.

Observe mudanças de comportamento antes de atribuir tudo à idade

Na fase sênior, alguns cães ficam mais quietos e seletivos no contato, enquanto outros passam a procurar mais os tutores. Irritabilidade, ansiedade, isolamento e maior dependência também podem aparecer. Antes de interpretar essas mudanças como características da idade ou da personalidade, porém, é importante investigar suas causas.

"Chamamos de teimoso o cão que talvez não esteja ouvindo, de manhoso o que pode estar sentindo dor e de birrento o que está desorientado. Toda mudança nova de comportamento deve ser levada ao veterinário antes de virar traço de personalidade", aponta Juliana.

Entenda que o vínculo muda, mas não precisa enfraquecer

Para a especialista, a chegada da velhice não significa necessariamente um enfraquecimento do vínculo. A relação apenas muda. O cão que durante anos acompanhou a família em passeios, brincadeiras e outras atividades pode passar a ter limitações, e os tutores precisam rever as expectativas.

"A família precisa deixar de esperar que o cão se adapte a ela e passar a se adaptar a ele. O cão não está ficando difícil, ele está vivendo com um corpo e uma percepção diferentes"

, afirma.

Adapte a rotina sem deixar de lado os momentos de convivência

Horários mais previsíveis, móveis mantidos no mesmo lugar e um espaço tranquilo para descanso ajudam a dar segurança ao animal. Passeios e brincadeiras também podem continuar, respeitando seus limites e as orientações do veterinário.

"O passeio deixa de ser exercício e passa a ser presença, exploração, tempo de farejar sem pressa",

diz Juliana.

Observe e registre alterações para levar ao veterinário

O acompanhamento veterinário é fundamental nessa etapa, mas a família também tem um papel importante na prevenção. Observar mudanças no sono, no apetite, no humor e nos hábitos e levar essas informações para as consultas ajuda a identificar alterações que nem sempre são percebidas de imediato.

Olhe também para quem cuida

Outro ponto pouco discutido é a preparação emocional dos tutores. O envelhecimento pode trazer um chamado luto antecipatório, quando a família começa a sentir a perda do cão que ele era, mesmo com o animal ainda presente. O cansaço de quem cuida, as preocupações e até a culpa por sentir irritação também podem fazer parte desse processo.

"Quem cuida também precisa de espaço para falar do que sente, inclusive do cansaço e da tristeza", afirma Juliana.

Preserve a autonomia e os rituais do cão

Para preservar a qualidade de vida e o vínculo, a orientação é respeitar a autonomia do animal sempre que possível, permitindo que ele faça escolhas, mantenha seus rituais e continue participando da rotina da família, ainda que de outra maneira.

Quando o assunto é fim de vida, conversar com o veterinário antes de uma situação de crise também pode ajudar a família a tomar decisões com mais tranquilidade.

"Essa conversa não antecipa a morte. Ela protege o tempo que ainda resta", conclui Juliana.
Perfil Brasil
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