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Deus nos acuda: Governo de SP classifica como 'protocolo' caso dos policiais armados em escola por causa de um desenho de orixá

Analisando o caso, fica a dúvida: será que a polícia de SP não tem mais o que fazer?

26 jun 2026 - 18h18
(atualizado às 19h45)
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Um caso emblemático que ocorreu em 12 de novembro do ano passado voltou a repercutir nos últimos dias. O episódio envolve a entrada de quatro policiais militares armados na Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, na cidade de São Paulo. A ação ostensiva aconteceu após o pai de uma aluna reclamar de um desenho da orixá Iansã feito pela filha.

Desenho da orixá Iansã mobilizou a polícia de SP
Desenho da orixá Iansã mobilizou a polícia de SP
Foto: EMEI Antônio Bento / Divulgação / Perfil Brasil

Os policiais — portando, inclusive, fuzis — permaneceram no estabelecimento de ensino por mais de uma hora. Recentemente, a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) concluiu que os militares apenas seguiram o protocolo da corporação.

A respeito do uso de armamento pesado, a SSP informou que a equipe foi acionada para atender uma ocorrência de desentendimento em ambiente escolar. Segundo o órgão, o fuzil foi mantido em posição segura, preso à correia junto ao corpo, conforme as regras estabelecidas pela instituição.

Polícia na escola por causa de orixá: 'protocolo'

O pai da criança em questão é um soldado da própria Polícia Militar. Em sua queixa, ele alegou que a unidade estaria obrigando a filha de apenas 4 anos a ter "aulas de religião africana". No dia anterior ao ocorrido, o homem já havia ido à escola para demonstrar insatisfação. Na ocasião, ele se portou de maneira inadequada e retirou o desenho do mural da instituição.

Por outro lado, a diretora da escola, Aline Aparecida Nogueira, esclareceu, em nota, que a unidade não trabalha com doutrinação religiosa. O foco do projeto pedagógico, na verdade, é estruturado a partir de um currículo antirracista. Além disso, a educadora relatou ter sido coagida e interpelada pela equipe policial por aproximadamente 20 minutos.

Qual é o verdadeiro papel da PM?

Diante de um cenário tão desproporcional, surge uma pergunta inevitável: a Polícia Militar não teria ocorrências mais urgentes para atender? A palavra religião significa religar. Consequentemente, deveria ser um sinônimo de paz, de caridade e, principalmente, de respeito ao próximo.

Causa profundo espanto testemunhar a presença da força policial em um ambiente escolar por este motivo. Aceitar que agentes armados interfiram diretamente em questões pedagógicas é, no mínimo, assustador.

Sabe-se que apresentar a diversidade cultural e de crenças de um país miscigenado faz parte das diretrizes educacionais básicas. Portanto, todos os envolvidos deveriam ter essa consciência. No entanto, para o governo de São Paulo, a ação foi apenas "o protocolo". Por fim, que Deus — independentemente do nome que receba em cada fé — nos acuda.

* Lilian Coelho Maffei é jornalista, com 20 anos de experiência em emissoras como Band, GloboNews, TV Câmara e TV Cultura.

 * * Este texto não reflete, necessariamente, a opinião de Perfil Brasil 

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