Deportado por engano pelos EUA, imigrante relata tortura em prisão de El Salvador
Deportado indevidamente pelos Estados Unidos, o imigrante Kilmar Abrego Garcia afirma ter sido vítima de violência física e psicológica no presídio onde foi encarcerado, em El Salvador. A denúncia foi formalizada em documentos judiciais apresentados nesta quarta-feira (2).
Abrego Garcia relata que, logo após a chegada ao presídio, foi brutalmente espancado. Seu corpo, segundo ele, estava coberto de hematomas e inchaços por conta de chutes e socos. Também afirmou ter sido obrigado a ajoelhar-se por toda a noite com outros 20 detentos. Guardas batiam nos que não conseguiam manter a posição.
Quais as consequências de um erro dos EUA na vida de um imigrante?
Antes de ser removido pelos EUA, Abrego Garcia morava em Maryland. O caso virou símbolo do endurecimento da política migratória sob Donald Trump. O episódio voltou à Justiça com um novo processo aberto por sua esposa, em um tribunal federal do mesmo estado.
O governo Trump solicitou ao juiz o arquivamento da ação, alegando já ter cumprido a decisão judicial que ordenava o retorno do imigrante aos Estados Unidos.
A deportação ocorreu em 15 de março, mesmo após um juiz de imigração ter proibido sua saída do país, em 2019. A justificativa era o risco de perseguição por parte de gangues que ameaçavam sua família. Ainda assim, a expulsão foi executada. Depois, o governo chamou o caso de "erro administrativo" e acusou o imigrante de ligação com a gangue MS-13.
Após a deportação, Abrego Garcia foi enviado ao Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), o maior presídio de segurança máxima do país. Lá, afirmou ter sido ameaçado diversas vezes por agentes penitenciários, que o advertiam sobre o risco de colocá-lo em celas com membros de facções rivais que poderiam "despedaçá-lo".
Ele disse ter presenciado brigas violentas entre detentos e ouvido gritos constantes à noite. Também relatou perda de peso significativa — mais de 13 quilos em apenas duas semanas de detenção.