Script = https://s1.trrsf.com/update-1778180706/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Denúncias de corrupção atingem governadores do DF e do RS

Compartilhar

Em 2009, os governadores do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), se viram envolvidos em denúncias de corrupção, gravações que as comprovariam, protestos e pedidos de impeachment. Em um vídeo gravado pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, Arruda aparece recebendo maços de dinheiro, em um suposto esquema de desvio de recursos públicos que envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada. No Rio Grande do Sul, gravações da Polícia Federal (PF) mostram suposto esquema de uso de desvio de recursos públicos e prática de caixa 2 no governo do Estado.

Dinheiro nas meias e nas cuecas

O mensalão do DEM, como ficou conhecido, cujos vídeos foram divulgados no final de novembro, é resultado das investigações da Operação Caixa de Pandora, da PF. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada do governo do DF. O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados". Segundo o corregedor do DF, Roberto Giffoni, o dinheiro teria sido recebido para entrega de cestas e panetones a eleitores quando Arruda ainda era candidato ao governo.

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário. Além do vídeo com Arruda, deputados, membros do governo e empresários aparecem recebendo dinheiro e guardando em bolsas e nas roupas, inclusive nas meias e nas cuecas.

Até o dia 3 de dezembro, haviam sido protocolados sete pedidos de impeachment contra o governador. Apesar das pressões, Arruda afirmou que o dinheiro recebido foi 'regularmente registrado' (A) e que não vai deixar o governo e nem sair do DEM. Em 2001, o político renunciou ao mandato de senador por causa da reabertura de um processo de cassação contra ele. Arruda era suspeito de ter se envolvido, junto com Antônio Carlos Magalhães, na quebra de sigilo do painel eletrônico do Senado.

Sucessão de denúncias abala governo Yeda

Em fevereiro, membros do Psol gaúcho, liderados pela deputada federal Luciana Genro, convocaram uma entrevista coletiva para apresentar nove denúncias contra o Executivo estadual. Os integrantes do partido não apresentaram provas, mas garantiram que áudios, vídeos e depoimentos, que estariam sendo analisados pelo Ministério Público Federal (MPF), apontariam a existência de uma "quadrilha" no Palácio Piratini, que se utilizou de caixa 2 para chegar ao poder e desvia verbas públicas para satisfazer interesses particulares.

Em maio, a revista Veja divulgou gravações de conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor de Yeda morto em fevereiro, e Lair Ferst, apontado como tesoureiro informal da candidatura da tucana ao governo do Estado e pivô de fraudes que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O áudio comprovaria o uso de caixa 2 na campanha. Segundo o ex-assessor, duas empresas fabricantes de cigarro doaram, cada uma, R$ 200 mil em espécie, que foram entregues ao marido de Yeda, Carlos Crusius. No mesmo mês, o vice-governador do RS, Paulo Feijó (DEM), desafeto de Yeda, afirmou que repassou R$ 25 mil - não registrados na prestação de contas da candidatura - para Rubens Bordini, tesoureiro da campanha de Yeda em 2006. A empresária Magda Koenigkan, viúva de Cavalcante, contesta a tese da polícia de que ele se suicidou.

Em julho, venho à tona um documento que teria sido entregue por Lair Ferst ao MPF detalhando 20 supostas irregularidades que cometidas na campanha de 2006 e no início do governo Yeda. Em troca do benefício da delação premiada, Ferst teria confirmado a existência de caixa 2 na campanha. O dinheiro seria recebido por Marcelo Cavalcante e por Walna Meneses, então assessora de Yeda. O marido da governadora, segundo o relato de Ferst, era avisado da chegada de doações e buscava o dinheiro no comitê. Ferst teria afirmado ainda que recursos do caixa 2 foram usados para pagar a casa de Yeda, que teria sido comprada durante os primeiros meses de governo por R$ 1 milhão, e não por R$ 750 mil, como está no contrato.

No dia 5 de agosto, o MPF ajuizou ação de improbidade administrativa contra a governadora e oito pessoas, referente à Operação Rodin, da Polícia Federal, que descobriu fraudes no Detran. Na ação, baseada em escutas telefônicas da PF, o MPF afirma que Yeda e os outros oito denunciados integravam uma "organização criminosa". Ainda de acordo com a ação, a tucana recebeu propina e ajudou na manutenção do esquema. O ex-presidente do Detran Flavio Vaz Netto teria dito a Lair Ferst que houve um "acordão" para a governadora receber R$ 170 mil do esquema por mês.

Em 26 de agosto, foi instalada na Assembleia Legislativa do RS a CPI da Corrupção, que divulgou mais gravações das escutas telefônicas da PF, até então mantidas sob sigilo. No mês seguinte, o presidente da Casa, deputado Ivar Pavan (PT), aceitou a denúncia de impeachment da governadora, feita pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul. O processo foi arquivado no dia 20 de outubro, uma semana depois de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) ter retirado o nome da governadora de uma ação de improbidade administrativa ajuizada pelo MPF. A CPI continua em atividade.

Em outubro, deputados de oposição denunciaram a compra de móveis e materiais de construção para a casa de Yeda com dinheiro público. Em resposta, a governadora lançou uma nota afirmando que a aquisição ocorreu de maneira 'totalmente legal'. Em pronunciamento após a extinção do processo de impeachment, a governadora disse que cometeu um erro político ao comprar a casa logo após ser eleita. Yeda afirmou que todas as investigações sobre a casa e a sua relação com o Detran já foram feitas e concluídas, "provando não haver relação com a casa, minha função pública e o Detran".

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra