Debate ao Senado por SP tem embates sobre segurança, STF e escala 6x1; veja resumo
No debate promovido pela Band, os sete participantes confrontaram propostas e trocaram críticas ao discutir temas que devem ganhar espaço na corrida eleitoral
O primeiro debate entre candidatos ao Senado por São Paulo reuniu sete concorrentes e expôs fortes divergências para 2026. Segurança pública e maioridade penal dividiram opositores entre discursos de linha dura e foco social. O embate abrangeu ainda a relação com o STF, o fim da escala 6x1 e a regulação de trabalhadores de aplicativos. Houve convergência na defesa de ajustes na reforma tributária, além de alertas sobre adaptação urbana e enfrentamento às mudanças climáticas.
O primeiro debate entre candidatos ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026 reuniu, na noite de quarta-feira (9), sete nomes que disputam as duas vagas do estado. Promovido pela 'TV Bandeirantes', o encontro colocou frente a frente representantes de diferentes campos políticos e evidenciou divergências sobre temas que devem ganhar espaço na corrida eleitoral.
Participaram Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSB), Soninha Francine (Cidadania), Marina Silva (Rede), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Geraldo Rufino (Podemos). Entre os assuntos que provocaram embates estiveram segurança pública, escala 6x1 e a atuação do Senado diante do Supremo Tribunal Federal (STF).
A discussão ainda passou por reforma tributária, mudanças climáticas, maioridade penal, violência contra as mulheres e população em situação de rua. Enquanto alguns assuntos aproximaram adversários, outros deram espaço para críticas e propostas opostas. Confira os principais momentos:
Segurança pública provoca embates
O combate ao crime organizado abriu espaço para algumas das principais divergências da noite. Ricardo Salles, por exemplo, concentrou sua participação em propostas para tornar mais rígidas as regras do sistema penal.
"Nós precisamos ter linha dura, colocar preso para trabalhar obrigatoriamente, mudar a audiência de custódia para que não vire essa porta geral que solta preso a cada cinco minutos. Também temos que acabar com visita íntima em cadeia, isso é um absurdo", afirmou.
Guilherme Derrite, por sua vez, relacionou o avanço do crime organizado às políticas de governos de esquerda e defendeu recuperar áreas sob influência de organizações criminosas. Já Simone Tebet direcionou suas críticas ao texto aprovado do PL Antifacção.
"Nós temos que repor e rever o PL Antifacção para que nós possamos ter instrumentos para colocar na cadeia aqueles que colocam a arma na mão do bandido", disse Tebet.
Maioridade penal divide candidatos ao Senado
A responsabilização de adolescentes também colocou os participantes em lados diferentes. Derrite argumentou que a possibilidade de votar a partir dos 16 anos demonstra, em sua avaliação, que nessa idade já existe responsabilidade suficiente para uma punição mais severa.
Marina Silva discordou. "Em relação à questão que você me pergunta, da menor idade, da diminuição, eu sou uma professora, e eu não acho que se deva tratar adolescentes como se eles fossem bandidos", afirmou.
Tebet apresentou outra posição. A candidata se declarou favorável à redução para 16 anos em crimes graves, como estupro e latrocínio, mas contrária à diminuição para 12 ou 14 anos.
STF no centro da discussão
Além disso, a relação entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal ganhou espaço quando os candidatos discutiram os limites de atuação entre os Poderes. André do Prado adotou uma posição mais dura sobre o assunto.
"Temos que eleger senadores que tenham coragem de chegar no Senado Federal e tomar as medidas necessárias para punir, sim, ministros que não cumpram com as suas obrigações constitucionais", declarou.
Soninha Francine seguiu por outro caminho e sugeriu mudanças institucionais no funcionamento da Corte, incluindo critérios para a escolha dos ministros. Simone Tebet, por sua vez, afirmou que abusos de poder devem ser combatidos independentemente da autoridade envolvida.
Escala 6x1 gera divergências entre candidatos ao Senado
A escala 6x1 evidenciou diferentes visões sobre até onde o poder público deve interferir nas relações trabalhistas. Ricardo Salles afirmou que votaria contra a proposta discutida no Congresso e argumentou que esse tipo de intervenção pode prejudicar a geração de empregos.
Marina Silva se posicionou a favor da mudança. "O que nós queremos é dignidade para todos os trabalhadores e que os empregadores possam usufruir do benefício de um trabalhador descansado, emocional e fisicamente", afirmou.
Simone Tebet também apoiou o fim da escala e chamou atenção para as mulheres que acumulam o emprego com outras jornadas. Ao mesmo tempo, defendeu mecanismos para proteger pequenos empregadores dos impactos da mudança.
Trabalhadores de aplicativos
As novas formas de trabalho ainda apareceram no confronto entre Simone Tebet e Geraldo Rufino. A discussão passou pelas condições enfrentadas por quem obtém renda por meio de aplicativos e outras plataformas digitais.
"Os jovens não entendem mais o mercado de trabalho, o CLT, como alguma coisa segura e garantida [...] O que a gente percebe hoje é que nós temos milhões de brasileiros e brasileiras plataformizados nas redes sociais, nos aplicativos. Eles não querem regulamentação, eles não querem patrão", declarou Tebet.
Ao apresentar suas propostas, a candidata mencionou alternativas para ampliar a proteção previdenciária desse grupo e estabelecer limites para a atuação das plataformas. Rufino direcionou sua resposta à remuneração recebida pelos profissionais que estão na ponta desse modelo. Para ele, reduzir burocracias e oferecer condições tributárias mais simples pode favorecer a formalização.
Reforma tributária aproxima Derrite e Soninha
Apesar das divergências em outros assuntos, Guilherme Derrite e Soninha Francine convergiram ao defender mudanças na reforma tributária. Soninha argumentou que problemas identificados no novo sistema não deveriam permanecer apenas porque a aprovação levou décadas.
"A gente não precisa esperar mais 30 anos para corrigir problemas que nós fomos capazes de identificar agora. Fácil não é, mas para que se conformar com isso?", questionou.
Derrite também pediu uma revisão e ampliou a discussão para o pacto federativo. Segundo o candidato, São Paulo contribui com cerca de 37% a 38% dos recursos federativos e recebe proporcionalmente menos de volta.
Mudanças climáticas entram no debate
Ademais, o enfrentamento de eventos climáticos extremos esteve entre os assuntos discutidos. Marina Silva chamou atenção para o número de cidades expostas a esses fenômenos e relacionou a prevenção à necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Soninha Francine concentrou sua resposta na preparação das cidades. Para a candidata, as medidas de adaptação precisam ir além das previsões de longo prazo e estabelecer recursos, responsáveis e etapas para que possam ser colocadas em prática.
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