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Vacinas contra covid-19 são seguras para crianças?

27 out 2021 14h23
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Comitê consultivo da FDA, nos EUA, aprova o uso emergencial da vacina da Pfizer-BioNTech em crianças entre 5 e 11 anos.Maja, de 10 anos, não tem dúvida: as crianças deveriam também ser vacinadas contra o novo coronavírus. Ela disse que ficou feliz por estar entre as primeiras crianças no mundo a receber uma vacina contra a covid-19 da Pfizer-BioNTech.

"A primeira coisa que vou fazer é ter uma grande festa do pijama ou algo assim com todos os meus amigos", contou.

Maja fez parte de um estudo baseado nos EUA que pode facilitar o caminho para as autoridades do país aprovarem a vacina de mRNA da Pfizer-BioNTech para crianças entre 5 e 11 anos.

Na terça-feira (26/10), um comitê consultivo da Food and Drug Administration (FDA), responsável pela aprovação de vacinas e medicamentos nos EUA, discutiu as conclusões do estudo e votou por unanimidade que os benefícios da vacina parecem superar quaisquer riscos potenciais nessa faixa etária.

Após a luz verde do painel de especialistas, o FDA deve tomar sua decisão final sobre a autorização formal dentro de alguns dias. O FDA não é legalmente obrigado a seguir as recomendações do painel, mas normalmente o faz.

Em seguida, o comitê consultivo independente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, deverá se reunir no início de novembro para votar a recomendação da vacina para essa faixa etária.

Estudo mostra boa eficácia

Os pesquisadores testaram a vacina em 2.268 crianças com idade entre 5 e 11 anos, e aproximadamente o mesmo número de crianças recebeu um placebo.

Após o estudo, os desenvolvedores disseram estar confiantes de que sua vacina era segura e eficaz para crianças daquela faixa etária com a redução da dose. Crianças menores de 11 anos receberam cerca de um terço da dose que os adultos recebem. Até o momento, a vacina foi aprovada apenas para crianças a partir de 12 anos.

A Pfizer-BioNTech quer a aprovação nos EUA e na União Europeia. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) indicou que tomará uma decisão nos próximos meses. A empresa fez submissões também em outros países para obter a aprovação.

Outros desenvolvedores e fabricantes de vacinas, como AstraZeneca, Novavax e Johnson&Johnson, também estão trabalhando em imunizantes para crianças.

Crianças devem se vacinar ou aguardar?

"Sou absolutamente a favor da vacinação de crianças com menos de 12 anos", disse Kawsar Talaat, em entrevista à DW. Talaat é professora associada de Saúde Internacional na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos EUA.

"A única maneira de nos livrarmos desta pandemia é vacinar o maior número possível de pessoas e isso vale para todas as idades", afirmou Talaat.

Jakob Armann, um pediatra na Alemanha, entretanto, é mais reservado. Em entrevista à DW, Armann contou que crianças com comorbidades deveriam ser vacinadas, "por exemplo, crianças portadoras da Síndrome de Down". Segundo especialistas, as pessoas com Síndrome de Down têm tendência de ter um sistema imunológico mais frágil e estão mais suscetíveis às infecções, por exemplo, respiratórias.

Mas Armann disse que esperaria "se for uma criança saudável". "Eu esperaria até que tivéssemos mais dados e tivéssemos a chance de ver efeitos colaterais raros, como a miocardite. E depois faria uma análise sobre quem se beneficia da vacina e quem não", frisou.

Armann frisou que o estudo da Pfizer-BioNTech envolveu poucas pessoas para que as comunidades pudessem iniciar programas de vacinação em massa com confiança.

Ele afirmou, por exemplo, que há sinais de que alguns rapazes e meninos contraem miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco, após receberem imunizantes contra a covid-19. Os casos tendem a ser leves e raros - mas, especificamente por esse motivo, disse Armann, um estudo com pouco mais de 2.200 crianças é uma amostra muito pequena.

O sistema imunológico das crianças se ativa rapidamente

Há outro motivo pelo qual alguns especialistas aconselham a agir com cautela: apenas algumas crianças infectadas com covid-19 apresentam casos graves. Muitas vezes, a infecção se assemelha a um leve resfriado.

O sistema imunológico humano usa receptores que reconhecem padrões - como a forma de um vírus - para defender o corpo contra um ataque viral, contou Roland Eils, em entrevista à DW. Mas esses receptores precisam ser ativados.

"Uma vez ativados, eles desencadeiam a produção de interferon, que é a principal linha de defesa contra qualquer infecção viral", disse Eils, que chefia o departamento de saúde digital do Hospital Charité, em Berlim.

"E descobrimos que o sistema imunológico das crianças era [muito bom em ativar] esses receptores em comparação com os adultos", acrescentou.

Escolas como superdisseminadores de covid-19

Eils não é contra a vacinação de crianças porque, mesmo que as infecções tendam a ser leves, elas ainda podem transmitir o vírus para outras pessoas.

Na Alemanha, o ano passado mostrou algumas evidências disso. Mesmo quando e onde a taxa de incidência geral aumentou de forma relativamente lenta, as escolas, às vezes, se tornaram locais de superdisseminação.

Se houver dezenas de crianças não vacinadas sentadas umas perto das outras, é possível que ocorram taxas de incidência mais elevadas. Algumas comunidades alemãs têm visto taxas de incidência semanal de 500 por 100 mil habitantes, o que é uma taxa bastante alta.

Talaat diz que a vacinação de crianças contribuirá para a imunidade coletiva. Essa é uma meta global - e a principal maneira pela qual podemos eventualmente superar a pandemia.

Além disso, Talaat frisou que os efeitos da covid-19 afetam a vida das crianças em termos de lockdowns, quarentenas, escolas fechadas, incapacidade de realizar suas atividades normais e assim por diante. "A melhor maneira de fazer suas vidas voltarem ao normal é vaciná-las", acrescentou.

Essa seria uma forma de o sonho de Maja, de 10 anos, se tornar realidade e receber todos os seus amigos para uma enorme festa do pijama.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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