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Recuo de Bolsonaro após ir a ato foi pedido por militares

Presidente também recebeu recados do Supremo sobre o perigo da escalada autoritária e advertências sobre o que suas atitudes têm provocado

20 abr 2020 13h26
| atualizado às 13h57
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BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro foi alertado por militares do governo de que sua participação no ato deste domingo, 19, convocado para defender o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, pegou mal e expôs as Forças Armadas a uma situação constrangedora. Não foi só: Bolsonaro também recebeu recados da cúpula do Supremo sobre o perigo da escalada autoritária no País e advertências sobre leitura política que sinais emitidos por ele têm provocado.

Na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda, o presidente tentou, então, culpar a imprensa por vincular sua participação no ato que pediu intervenção militar no País e pregou a "deposição" de governadores. Sob aplausos , ele perguntou aos jornalistas: "Onde vocês estão com a cabeça? Falta um pouco de inteligência para aqueles que me acusam de ser ditatorial".

Bolsonaro faz declarações em defesa da liberdade e da democracia um dia após ato pró-ditadura
Bolsonaro faz declarações em defesa da liberdade e da democracia um dia após ato pró-ditadura
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Bolsonaro disse que não poderia conspirar contra ele próprio. "O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder. Eu já estou no poder. Então, eu estou conspirando contra quem, meu Deus do céu? Eu sou, realmente, a Constituição", afirmou ele.

Apesar das declarações e até mesmo de interromper um seguidor para dizer que "aqui não tem essa conversa de fechar nada" - ao contrário do que fez neste domingo, quando se calou diante de pedidos de volta da ditadura e de um novo AI-5 -, Bolsonaro deu uma estocada indireta no presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "O meu time não trabalha de madrugada. O meu time não trabalha à luz do dia", afirmou o presidente, convencido de que Maia age para derrubá-lo.

Na prática, o comando do Congresso e integrantes do Supremo avaliam, nos bastidores, que não há mais conciliação possível com Bolsonaro. Para políticos e magistrados ouvidos pelo Estado, a pandemia do novo coronavírus deixou evidente que o presidente age sem consultar as instituições e não respeita nem mesmo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi por isso que o Supremo decidiu, por exemplo, que Estados e municípios têm autonomia para decretar o isolamento social.

Os militares do governo, por sua vez, receberam com alívio o passo atrás dado pelo presidente, nesta segunda-feira, 20. Até aqui havia muito desconforto com o fato de ele ter participado da manifestação do domingo diante do QG do Exército.

Para generais consultados pelo Estado, Bolsonaro muitas vezes é mal interpretado por não ter o dom da palavra. Embora condene a forma como o presidente se expressa, o núcleo militar do governo avalia que ele é movido por um "ideal patriótico" e jamais desrespeitaria a Constituição.

Na avaliação dessa ala, Bolsonaro reage com agressividade por se sentir injustiçado. O presidente sempre se queixa com militares com quem convive nunca ter havido uma oposição assim a um inquilino do Palácio do Planalto.

Estadão
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