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Gilmar Mendes diz que alterar dados é típico de ditaduras

Ministro do STF se manifestou em postagem na rede social que se "tenta ocultar os números da covid-19 para reduzir políticas de saúde"

6 jun 2020
21h29
atualizado às 21h38
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Ministro do STF Gilmar Mendes
22/08/2019
REUTERS/Adriano Machado
Ministro do STF Gilmar Mendes 22/08/2019 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi às redes sociais criticar as limitações ao acesso de informações da pandemia de covid-19 impostas pelo governo federal. Em uma postagem no Twitter, o ministro afirmou que a manipulação de estatísticas é "manobra de regimes totalitários".

"Tenta-se ocultar os números da #COVID19 para reduzir o controle social das políticas de saúde. O truque não vai isentar a responsabilidade pelo eventual genocídio #CensuraNao e #DitaduraNuncaMais", escreveu o ministro no Twitter na noite deste sábado, 6.

Em entrevista ao Estadão publicada também neste sábado, o ministro havia dito que é necessário "parar de brincar de ditadura". Na opinião dele, se houver "silêncio" e "inércia" das pessoas à postura antidemocrática do grupo do presidente Jair Bolsonaro, "daqui a pouco pode ser tarde" para a preservação das instituições. Na entrevista, Gilmar Mendes disse, ainda, considerar um "alerta" a comparação feita pelo decano da Corte, Celso de Mello, entre o Brasil atual e a Alemanha de Hitler. Em uma mensagem de WhatsApp, Celso de Mello acusou bolsonaristas de odiar a democracia e pretender instaurar "desprezível e abjeta ditadura".

Mandetta. Em uma live também neste sábado, com a presença do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Gilmar Mendes demonstrou preocupação com o futuro do país pós-pandemia e disse ser necessária uma nova agenda política.

Mendes citou a dificuldade das populações nas favelas fazerem o autoisolamento, com condições precárias de saneamento e às vezes só um quarto para uma família, e disse que era preciso avançar na urbanização e na questão fundiária no país. Enquanto narrava esse cenário, Mendes se referiu a Mandetta como alguém que teria uma missão de "animador social" no pós-coronavírus, pela "credibilidade" que teria adquirido na gestão do Ministério da Saúde.

Foi então que o ministro do Supremo se emocionou, silenciando por alguns segundos. "Eu me emociono... mas que, de fato, nós possamos enfrentar este pós-pandemia com dignidade e que possamos mesmo avançar e construir um Brasil melhor", disse. "Acho que o senhor tem essa missão, de animador social", disse o ministro do Supremo.

Ambos sul-mato-grossenses, Gilmar sugeriu dar a Mandetta o título de doutor honoris causa naquela instituição de ensino. Mandetta agradeceu e concordou com Gilmar Mendes sobre a necessidade de focar em resolver problemas sociais. "Eu vi que o senhor ficou emocionado. Eu fiquei profundamente emocionado de ver a sugestão do senhor de título dentro do estudo de Direito, o qual eu agradeço. Quero reverenciar aqueles que fazem ciência, já que é a única forma que vamos conseguir pagar a dívida histórica que temos como país, através de educação e ciência", disse Mandetta.

O ex-ministro da Saúde criticou na live a restrição das informações sobre a pandemia pelo governo federal. "A gente está falando de informação e vítimas dessa guerra chamada coronavírus, que deveria ser um inimigo que unisse todos os brasileiros, um ponto de inflexão em uma sociedade de tantas assimetrias, que busca tanto um mínimo de consistência para sobreviver às agressões que ela mesma perpetra", disse Mandetta.

 

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