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David Uip: "Estava indo dormir sem saber como ia acordar"

Chefe do centro de contingência de São Paulo diz que quem vai sair vivo é quem estiver sendo atendido em estruturas bem equipadas

6 abr 2020
13h38
atualizado às 14h01
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David Uip, que chefia o Centro de Contingência contra a Covid-19 criado pelo Estado, voltou ao trabalho nesta segunda-feira, 6, e participou de uma coletiva de imprensa em que foi anunciada a ampliação da quarentena no Estado de São Paulo. Uip foi infectado pelo novo coronavírus e estava afastado. Ele deu um depoimento emocionado sobre como sofreu com a doença.

David Uip, que chefia o Centro de Contingência contra a Covid-19 criado pelo Estado, volta ao trabalho após contrair a covid-19
David Uip, que chefia o Centro de Contingência contra a Covid-19 criado pelo Estado, volta ao trabalho após contrair a covid-19
Foto: Fracisco Cepeda / Estadão

"Gostaria de agradecer a Deus estar aqui vivo, à minha família pela solidariedade e ao senhor (João Doria), que não deixou de me ligar um dia, não para perguntar algo sobre o trabalho, mas para saber como eu estava", disse Uip, demonstrando bastante consideração com todos os presentes e concordando com a manutenção da quarentena no Estado de São Paulo.

"Vou dar meu depoimento para mostrar do que se trata essa doença. Há dois domingos, eu me senti muito mal. Estava extenuado, sentado em uma cadeira e, pela primeira vez na vida me neguei a falar com um emissora de televisão. Na segunda de manhã, o teste deu positivo para coronavírus. A semana que se seguiu foi de extremo sofrimento", contou.

Uip explicou que depois, em uma tomografia, foi detectada pneumonia. "Esse sentimento de se ver com uma pneumonia, como médico, foi muito angustiante. Indo dormir sem saber como ia acordar. Mas Deus me ajudou e venci a quarentena. É de extremo sofrimento ficar isolado, mas é absolutamente fundamental. Me reinventei nesse período."

"Meu depoimento é como paciente, não como médico. Meu testemunho é de quem ficou do outro lado. A quem está subestimando, desejo ardentemente que saiba que não é pouco. Quem vai sair vivo é quem estiver sendo atendido em estruturas hospitalares bem equipadas e com equipes médicas bem estruturadas."

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Estadão
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