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Após Queiroga contrair covid, Anvisa recomenda quarentena para Bolsonaro e toda comitiva brasileira

Agência recomendou isolamento de duas semanas para as pessoas que estiveram próximas ao ministro; agenda de Bolsonaro é cancelada, afirma líder do governo

22 set 2021 10h57
| atualizado às 16h13
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BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou no início da madrugada desta quarta-feira, 22, que o presidente Jair Bolsonaro e o restante da comitiva presidencial brasileira que esteve nos Estados Unidos para a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) permaneçam isolados numa quarentena de 14 dias.

Integrante da comitiva, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, testou positivo para a covid-19 na noite de terça-feira, 21, e cumpre seu isolamento em hotel de Nova York. Um funcionário do Itamaraty, que atuou na preparação da viagem antes da chegada da comitiva, também já havia testado positivo para a doença.

O presidente Jair Bolsonaro comeu pizza ao ar livre com o ministro da Saúde Marcelo Queiroga e outros membros do governo.
O presidente Jair Bolsonaro comeu pizza ao ar livre com o ministro da Saúde Marcelo Queiroga e outros membros do governo.
Foto: Instagram/Reprodução / Estadão

Em nota, a agência informou que encaminhou para a Casa Civil uma série de recomendações para a comitiva. Entre elas estão:

  • desembarcar no Brasil de forma a expor o mínimo possível ambientes e pessoas;
  • cumprir o período de isolamento de 14 dias após o último dia de contato com o caso confirmado de covid-19, conforme o Guia de Vigilância Epidemiológica para COVID-19 publicado pelo Ministério da Saúde;
  • cumprir o isolamento na cidade de desembarque no Brasil, evitando novos deslocamentos até que tenham ultrapassado o período de transmissibilidade do vírus;
  • serem novamente testados em solo brasileiro.

O ministro da Saúde esteve com Bolsonaro no plenário da ONU na terça, o que deve despertar reação internacional para rastrear os contatos do ministro e identificar possíveis focos de transmissão. Em uma foto postada em suas redes sociais, o ministro aparece no meio do local onde mais cedo discursaram os principais líderes mundiais.

Bolsonaro planejava participar no próximo sábado, 25, de evento com apoiadores no Paraná, mas o evento e toda a programação prevista na viagem dele ao Estado, que começaria na sexta-feira, 24, foram cancelados. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), informou por meio do Twitter que a ida do presidente foi adiada.

Ministros com quem Queiroga conviveu de maneira próxima nos últimos dias, como o das Relações Exteriores, Carlos França, e o do Meio Ambiente, Joaquim Leite, também devem ser monitorados. Os dois tiveram reuniões nesta terça com o alto escalão do governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. França se reuniu com o secretário de Estado, Antony Blinken, e Leite esteve com o enviado especial para o clima, John Kerry.

Por causa do teste positivo do ministro, a diplomacia brasileira decidiu suspender a presença de diplomatas nas reuniões previstas para ocorrer nesta quarta-feira, 22, na Assembleia-Geral da Nações Unidas. É o segundo caso de um infectado por coronavírus na comitiva do País.

Pelo Twitter, Queiroga confirmou o teste positivo e disse estar seguindo "todos os protocolos de segurança sanitária". O ministro da Saúde não embarcou de volta a Brasília com Bolsonaro por causa do diagnóstico de covid. Ele ficou em Nova York. Médico, Queiroga se vacinou contra covid ainda em janeiro.

Durante a viagem a Nova York, onde Bolsonaro discursou na abertura da cúpula de países da ONU, Queiroga se envolveu em polêmica ao reagir com gesto obsceno a manifestantes. Um grupo pequeno protestava contra o presidente Jair Bolsonaro na calçada em frente à residência da missão nacional junto à ONU, onde a comitiva brasileira foi recepcionada para um jantar na noite de segunda-feira, 20.

Estadão
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