Coreia do Norte vem ampliando suas capacidades nucleares, diz AIEA
Chefe da agência nuclear da ONU relata "aumento muito sério" nas capacidades de Pyongyang de produzir armas nucleares. País teria diversas instalações de enriquecimento de urânio, além de dezenas de ogivas.A Coreia do Nortefez avanços significativos em sua capacidade de produzir armas nucleares com a intensificação das atividades, afirmou nesta quarta-feira (15/04) o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi.
O país diplomaticamente isolado estaria apto a operar diversas instalações de enriquecimento de urânio - uma etapa fundamental na fabricação de ogivas nucleares, segundo a agência de espionagem da Coreia do Sul.
Isso inclui uma instalação no complexo nuclear de Yongbyon que o regime norte-coreano teria desativado após uma série de negociações, mas reativado em 2021.
"Em nossas avaliações periódicas, pudemos confirmar um rápido aumento nas operações" do reator de Yongbyon, disse Grossi, em Seul, onde se reuniu com o ministro do Exterior da Coreia do Sul.
A agência também observou um aumento nas operações na unidade de reprocessamento e no reator de água leve de Yongbyon, bem como a ativação de outras instalações.
"Tudo isso aponta para um aumento muito sério nas capacidades da RPDC na área de produção de armas nucleares, que é estimada em algumas dezenas de ogivas", disse Grossi, utilizando o acrônimo para República Popular Democrática da Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte.
Sob sanções da ONU desde 2006
O regime norte-coreano, que realizou seu primeiro teste nuclear em 2006, está sob uma série de sanções da ONU devido a seu programa armamentista. O país declarou que nunca abrirá mão de suas armas nucleares e cortou o acesso dos inspetores da AIEA às suas instalações em 2009.
A agência observou a construção de uma "nova instalação semelhante à de enriquecimento em Yongbyon" em Kangson, outro importante local nuclear perto da capital Pyongyang, disse Grossi.
Ele observou que calcular qualquer aumento na produção sem visitar o local não é uma tarefa simples, mas explicou que "observando as características externas da instalação, [acreditamos] que haverá um aumento significativo na capacidade de enriquecimento da RPDC".
O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais também relatou nesta semana que a Coreia do Norte parece ter concluído um edifício em Yongbyon que pode ser uma nova usina de enriquecimento de urânio. Citando imagens de satélite de abril, o think tank americano afirmou que o prédio possuía geradores, tanques de armazenamento de combustível e unidades de refrigeração.
Possível colaboração da Rússia?
Questionado se a Rússia estaria auxiliando o desenvolvimento nuclear da Coreia do Norte, Grossi disse que a AIEA não havia observado "nada em particular nesse sentido". Embora a agência esperasse que qualquer cooperação desse tipo fosse de natureza civil, "ainda é muito cedo para julgar", afirmou.
A Coreia do Norte enviou tropas terrestres e projéteis de artilharia para apoiar a invasão da Ucrânia pela Rússia e, segundo observadores, estaria recebendo em troca assistência em tecnologia militar de Moscou.
Grossi disse ao ministro do Exterior da Coreia do Sul, Cho Hyun, que o programa nuclear de Pyongyang "continua sendo uma das principais questões da AIEA", segundo um comunicado do Ministério divulgado nesta quarta-feira.
Cho afirmou que Seul estava trabalhando para "pôr fim às hostilidades e ao confronto" com o Norte e para buscar a coexistência pacífica e o crescimento compartilhado na Península Coreana.
Em outra frente, os principais comandantes navais da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e do Japão se reuniram em Seul nesta quarta-feira para conversar sobre segurança marítima com o objetivo de deter as crescentes ameaças nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, informou a Marinha de Seul.
rc/md (AFP, Reuters)
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