Como o 'Samhain' celta, uma celebração feminina, deu origem ao Halloween?
Os rituais do Samhain incluíam fogueiras sagradas para afastar os maus espíritos, oferendas de alimentos para os ancestrais e o uso de disfarces
Esqueça por um instante as fantasias de bruxas e as abóboras decoradas que dominam o Halloween moderno. Para entender a verdadeira essência desta festa que empolga o mundo todo, precisamos viajar no tempo até as antigas terras celtas, há mais de dois mil anos. Lá, na Irlanda, Escócia, País de Gales e norte da França, o que hoje chamamos de Halloween era, na verdade, o Samhain (pronuncia-se "sow-in"), uma das celebrações mais importantes do calendário celta.
O Samhain marcava o fim do verão e da colheita, e o início do inverno, a estação escura e fria. Era o momento de transição, onde os celtas acreditavam que a barreira entre o mundo dos vivos e o dos mortos ficava mais tênue. Essa abertura permitia que espíritos (bons e maus) visitassem a terra, e os vivos podiam se comunicar com seus ancestrais.
Uma celebração feminina gerou o Halloween
Nesse contexto místico, a figura da mulher possuía um papel central. As sacerdotisas e as sábias da comunidade, muitas vezes chamadas de "bruxas" (no sentido original de mulheres com conhecimento e poder), guiavam os rituais. Eram elas que interpretavam os sinais, realizavam as previsões para o próximo ano e invocavam a proteção para a comunidade. A intuição feminina, a conexão com a natureza e a sabedoria ancestral eram celebradas, mostrando uma força que, mais tarde, seria marginalizada, mas que permanece como eco na figura simbólica da "bruxa" do Halloween.
Os rituais do Samhain incluíam fogueiras sagradas para afastar os maus espíritos, oferendas de alimentos para os ancestrais e, sim, o uso de disfarces para confundir entidades malévolas. Com a chegada do cristianismo e a tentativa de integrar as tradições pagãs, o Samhain evoluiu para o Dia de Todos os Santos (All Saints' Day) e a Véspera de Todos os Santos (All Hallows' Eve), que acabou se tornando Halloween.
Hoje, a festa ganhou um toque mais comercial e global, mas sua essência - a celebração da transição, o mistério entre os mundos e, sim, uma conexão com uma sabedoria feminina ancestral - ainda pulsa por trás das fantasias e dos doces.
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