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Como a guerra contra o Irã é vista pelos israelenses

2 mar 2026 - 17h50
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Apesar de o ataque ao Irã ter sido apoiado mesmo por opositores e críticos do governo Netanyahu em Israel, temor de uma guerra longa e desgastante paira sobre o país.No sábado passado (28/02), por volta das 8h (horário local), a população de Israel começou a receber os primeiros alertas em seus celulares: todos deveriam se dirigir imediatamente a um local seguro e aguardar novas instruções.

Vários locais em Israel já foram atingidos por mísseis iranianos, incluindo Jerusalém e uma sinagoga em Beit Shemesh
Vários locais em Israel já foram atingidos por mísseis iranianos, incluindo Jerusalém e uma sinagoga em Beit Shemesh
Foto: DW / Deutsche Welle

Quase ao mesmo tempo, o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou que o país estava em estado de emergência. Segundo ele, as forças armadas haviam iniciado um ataque preventivo ao Irã para "eliminar ameaças ao Estado de Israel".

Negociações foram "perda de tempo"

Foi então que o telefone do general major aposentado Noam Tibon não parou mais de tocar. Ele ficou famoso em todo o país ao resgatar ele mesmo o filho e a neta do kibutz Nahal Oz, onde eles moravam, durante o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Tibon, que culpou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pelo ataque terrorista, é um conhecido crítico do governo do premiê.

Desta vez, porém, o militar aposentado diz entender a decisão de atacar o Irã. "Acho que eles [governo de Israel] entenderam que todas as negociações anteriores com o Irã foram apenas uma perda de tempo", afirma Tibon à DW.

Para ele, os acontecimentos atuais são uma consequência direta da chamada guerra dos 12 dias, em junho de 2025, quando Israel, com ajuda dos Estados Unidos, lançou um ataque ao Irã. A ação militar, considerada por muitos especialistas uma clara violação do direito internacional, tinha como principal alvo o programa nuclear iraniano.

Os contra-ataques iranianos que se seguiram causaram danos significativos em território israelense e surpreenderam muitos analistas pela intensidade. Diversos mísseis balísticos iranianos atravessaram o sistema de defesa israelense, matando pelo menos 28 pessoas.

"Quando vimos esse número, entendemos que precisávamos fazer mais para enfrentar essa ameaça", afirma Tibon. "Daí surgiu o objetivo de garantir que os mísseis iranianos nunca mais representassem um perigo."

Muito apoio na política israelense

Grande parte da oposição também expressou apoio ao ataque militar ordenado pelo governo israelense. O líder oposicionista Yair Lapid agradeceu aos Estados Unidos pela "coragem e determinação para mudar o curso da história".

O deputado e ex-ministro da Defesa Benny Gantz escreveu, num breve comunicado: "Estamos todos juntos - e venceremos."

Um dos poucos críticos da ação militar é o deputado de origem árabe Ayman Odeh, da oposição. Ele disse duvidar que a guerra traga mais segurança para Israel. "Cuidem bem de vocês, porque este governo não o fará", declarou aos compatriotas.

Muitos críticos em Israel temem sobretudo o risco crescente de uma nova guerra em múltiplas frentes. As forças armadas de Israel iniciaram uma grande mobilização de reservistas. Eles deverão proteger as fronteiras ao norte, com o Líbano e a Síria, e conter a milícia xiita Hezbollah, aliada do Irã.

Mudança de regime como objetivo

Para os israelenses, não há dúvidas de que os objetivos da guerra vão muito além da destruição do arsenal de mísseis iranianos. Numa mensagem em vídeo, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu foi claro e afirmou que o ataque conjunto entre os EUA e Israel "criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome as rédeas do seu destino" e "se liberte do jugo da tirania".

O presidente dos EUA, Donald Trump, também exortou os civis iranianos a se levantarem contra o regime. "Quando terminarmos, assumam o controle do seu governo. Ele será seu. Esta será provavelmente sua única chance por gerações."

Tibon diz que muitas pessoas dentro do governo israelense veem Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã, como o possível futuro líder iraniano. Pahlavi está há anos no exílio e vive nos Estados Unidos. Mas não há certeza de que de fato haverá uma troca de regime.

Guerra longa e desgastante

Ao contrário, o conflito poderá se intensificar e se transformar numa guerra regional longa, principalmente se houver o envolvimento de grupos apoiados pelo Irã, como o Hezbollah e as milícias houthis - o que é bem possível. O próprio Trump não fala numa operação de curto prazo e já alertou que a guerra contra o Irã pode durar até quatro semanas.

Nesse cenário, o número de vítimas deve aumentar. Os serviços de resgate em Israel comunicaram que vários locais já foram atingidos por mísseis iranianos, incluindo Jerusalém e uma sinagoga em Beit Shemesh. Ao todo, 11 pessoas morreram.

Tibon também vê um risco de que o confronto militar possa se intensificar ainda mais nos próximos dias e se tornar uma "longa guerra de desgaste para toda a região". Ele destaca um problema específico para seu país: muitos dos objetivos da guerra não podem ser alcançados isoladamente por Israel, mas dependem da ajuda militar dos EUA e dos desdobramentos internos no Irã.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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