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Com mestres cada vez mais novos, Ásia se firma como potência do xadrez

17 abr 2026 - 16h25
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Javokhir Sindarov, do Uzbequistão, se prepara para enfrentar o indiano Dommaraju Gukesh no campeonato mundial. Ambos têm menos de 21 anos e pegaram guinada dos incentivos ao esporte em seus países.Quando o uzbeque Javokhir Sindarov foi para a final do Torneio Mundial dos Candidatos de Xadrez, ele já sabia que sairia vitorioso. Após uma campanha de destaque contra oito oponentes, bastou um empate contra Anish Giri, holandês nascido na Rússia e de pai nepalês, para que ele garantisse seu lugar no Campeonato Mundial.

"Cada rodada foi muito, muito dura, e a última semana foi a mais difícil da minha vida", disse o novo superastro do xadrez após a vitória histórica, em abril. "Dormi muito mal e estou feliz que acabou."

Sindarov, de 20 anos, enfrentará um oponente ainda mais novo no Campeonado Mundial - o indiano Dommaraju Gukesh, de 19 anos, campeão de 2024 e a pessoa mais jovem a conquistar o título.

O auge cada vez mais cedo

Sindarov, que se tornou grande mestre aos 12 anos, dominou o Torneio de Candidatos desde o início. O primeiro momento decisivo surgiu já na quarta das 14 rodadas, quando ele superou o ítalo-americano Fabiano Caruana - principal favorito dos Estados Unidos, vice-campeão mundial em 2018.

Com isso, o uzbeque assumiu a liderança da classificação e nunca mais a perdeu. Nas seis primeiras partidas, obteve uma impressionante marca de cinco vitórias — feito inédito num Torneio de Candidatos de alto nível.

Sindarov representa a continuidade de uma tendência de jogadores cada vez mais jovens chegando ao topo do esporte vindos de fora das nações tradicionalmente fortes no xadrez europeu, especialmente da Ásia.

A dominância de enxadristas asiáticos neste ano também ficou evidente na competição feminina. A indiana Vaishali Rameshbabu venceu o Torneio de Candidatas ao derrotar a russa Kateryna Lagno na rodada final e conquistou o direito de desafiar a campeã mundial Ju Wenjun, da China.

Não é surpresa que o Uzbequistão esteja se estabelecendo como uma potência do xadrez ao lado da China e da Índia. "Os jovens talentos no Uzbequistão são realmente, realmente fortes", disse recentemente à DW Rustam Kasimjanov, ex-jogador de elite do país.

Kasimjanov, que vive há muitos anos perto da cidade alemã de Bonn, é considerado o catalisador do boom do xadrez no país da Ásia Central e treinou pessoalmente muitos dos jovens astros uzbeques. As condições para o xadrez de alto nível em sua terra natal são hoje muito boas: "No Uzbequistão, o Estado tem feito grandes investimentos no xadrez há vários anos", acrescentou.

Aposta alta

O principal técnico de Sindarov, Roman Vidonyak, nasceu na Ucrânia, mas viveu por muitos anos em Munique, na Alemanha. Ele treina Sindarov há cerca de um ano.

"Ainda temos grandes planos", disse ao site especializado Chessbase após a vitória de seu pupilo. Agora, o objetivo é conquistar o título mundial e depois tentar estabelecer Sindarov como o jogador dominante de sua geração.

Há um grande otimismo sobre as chances de Sindarov se tornar campeão mundial. Gukesh, seu rival indiano, não teve um bom período no esporte desde que ganhou o título e atualmente ocupa a 15ª posição no ranking mundial. O norueguês Magnus Carlsen ainda é considerado o melhor jogador de xadrez do mundo, mas ele não disputa mais partidas pelo campeonato mundial, preferindo outros formatos.

Investimento pesado

Além de Sindarov, o alemão Matthias Blübaum também surpreendeu com uma atuação forte no Torneio dos Candidatos - ele foi o primeiro alemão a disputá-lo em mais de 35 anos.

Como azarão, Blübaum assumiu poucos riscos em Chipre, defendeu-se com prudência e conduziu suas partidas ao empate rodada após rodada. Nem mesmo o astro em ascensão Sindarov conseguiu mais do que dois empates contra ele. Blübaum sofreu apenas duas derrotas.

"É impressionante com que confiança Matthias Blübaum joga contra os melhores jogadores do mundo", disse à DW Ingrid Lauterbach, presidente da Federação Alemã de Xadrez. Com Blübaum e o jogador do top 10 Vincent Keymer, a Alemanha é atualmente a única nação do xadrez na Europa que chega minimamente perto da Índia e do Uzbequistão.

"No Uzbequistão, assim como na Índia, vemos o que acontece quando muito dinheiro é investido no xadrez", acrescentou Lauterbach. Por enquanto, porém, ela só pode sonhar com desenvolvimentos desse tipo na Alemanha.

O sucesso de Blübaum ainda não foi suficiente para atrair o patrocinador de peso esperado por um esporte carente de recursos na Alemanha. No entanto, cerca de 90 mil euros (cerca de R$ 529 mil) em apoio acabaram sendo arrecadados para o enxadrista.

Parte dos recursos veio da Federação Alemã de Xadrez, além de uma rodada especial de financiamento estatal. No fim, para garantir que Blübaum pudesse levar seus próprios treinadores ao torneio, os dirigentes do xadrez organizaram uma campanha de financiamento coletivo online.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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