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Vazamento de óleo que atinge Nordeste ocorreu a pelo menos 600 km da costa, diz UFRJ

Estudo feito pela Coppe considera "modelagem inversa", estimando a trajetória para trás das manchas que atingiram as praias; pela análise, o vazamento foi em alto mar, na altura de Sergipe e Alagoas

17 out 2019
18h14
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SÃO PAULO - O vazamento de óleo que atingiu todo o litoral do Nordeste do País pode ter ocorrido em uma região entre 600 km e 700 km da costa, na altura dos Estados de Sergipe e Alagoas.

A estimativa foi feita por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que trabalharam com uma tecnologia conhecida como modelagem inversa, que parte dos pontos de chegada das manchas nas praias e faz o caminho para trás, estimando o ponto de origem desse óleo.

O estudo foi encomendado pela Marinha à Coppe. Até esta quarta-feira, 178 localidades haviam sido atingidas pelas manchas, de acordo com o Ibama.

O cálculo usou como ponto de partida o mapa atualizado diariamente pelo órgão ambiental que mostra os dias e locais em que as manchas estão chegando às praias do Nordeste. Considerando as condições oceânicas, como correntes marinha, temperatura da superfície da água e os ventos, os pesquisadores desenharam o caminho para trás. Ao cruzar todas essas trajetórias, eles chegaram a uma região onde provavelmente o vazamento ocorreu.

O engenheiro Luiz Landau, que coordena o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe, explica que trata-se de uma estimativa, mas que busca reproduzir do modo mais fiel possível as condições do evento. "Não sabemos, por exemplo, exatamente a que horas as manchas chegaram à costa, mas mesmo dentro dessas limitações, testamos vários cenários e chegamos a uma região provável da origem desse óleo", disse Landau ao Estado.

O trabalho não indica exatamente um ponto, mas uma região, uma retângulo cujo lado maior tem cerca de 100 km de comprimento. "A gente considerou como se as pequenas manchas estivessem se movendo para trás até se juntarem nessa região no meio do Oceano Atlântico. Com mais investigação, podemos chegar a um raio menor, mas para dar uma resposta nesse momento de crise, é o que conseguimos mostrar", complementou o oceanógrafo Luiz Paulo Assad, colaborador do laboratório e professor do Departamento de Meteorologia da UFRJ.

Segundo ele, a análise corrobora informações que vem sendo dadas pelo governo de que não foi possível ver a mancha antes de as praias começarem a serem contaminadas. Logo após o vazamento, o óleo, ainda bastante fluido, fica na superfície, o que até permitiria sua visualização por satélites. Mas, segundo Assad, há poucos satélites voltados para o alto mar.

"Depois de um tempo, o óleo sofre com intemperismo e afunda, movendo-se na sub-superfície, o que o deixa invisível para sensores remotos de satélites. Por um momento, que não sabemos ainda quanto, ele de fato ficou visível, mas em uma região que não há monitoramento frequente por satélite. Eles são mais voltados para a costa", diz.

Os pesquisadores acreditam que o mais provável é que tenha ocorrido um grande vazamento neste local, talvez em uma operação conhecida como ship-to-ship, em que o óleo é transferido de uma embarcação a outra em alto-mar, o que traz altos riscos de acidente. Eles dizem não ver relação das manchas com os barris da Shell encontrados em praias do Sergipe e de Natal.

"Nosso entendimento é que não há relação entre a tragédia que está acontecendo e os barris. Não há a menor relação", afirmou Assad.

O próximo passo, agora, é tentar fazer o caminho oposto e tentar estimar para onde a mancha pode se encaminhar.

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