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Os misteriosos sinais que astrônomos captaram da Ross 128, uma das estrelas mais próximas da Terra

Cientistas não conseguiram explicar ondas rádio aparentemente vindas de anã-vermelha, que fica apenas 11 anos-luz de nosso planeta

19 jul 2017
09h36
atualizado às 10h10
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Cientistas estudando estrelas próximas à Terra registraram "sinais misteriosos" de rádio vindos de Ross 128, uma estrela anã-vermelha que fica a apenas 11 anos-luz da Terra e tem brilho 2.800 vezes mais fraco que o Sol.

O radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, é o mais sensível do mundo
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Foto: BBCBrasil.com

"Captamos um sinal que, dada sua forma e sua frequência, não conseguimos classificar como algo astronômico ou terrestre", explicou à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Abel Mendez, diretor do Laboratório de Habitabilidade Planetária (PHL) da Universidade de Porto Rico.

Segundo o cientista, é bastante comum a detecção de sinais que a princípio parecem estranhos, mas que acabam sendo identificados depois. No entanto, depois de analisar as ondas de rádio de Ross 128, a 12ª estrela mais próxima da Terra, nem os especialistas do PHL nem a equipe do Observatório de Arecibo (cujo imenso radiotelescópio registrou os sinais), em Porto Rico, conseguiram encontrar uma explicação.

Três hipóteses

Ross 128 surpreendeu os cientistas, que priorizavam outras estrelas
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Foto: PHL / UPR Arecibo / Aladin Sky Atlas

Localizada na constelação de Virgem, Ross 128 enviou em maio o que a equipe do PHL descreveu como "pulsos de banda larga que se repetiam de forma quase periódica", segundo um comunicado.

Para os astrônomos, há uma série de hipóteses que podem explicar o mistério: as ondas podem ter sido originadas por explosões semelhantes às que ocorrem no Sol, ou podem ter sido emitidas por um objeto próximo à Ross 128. Há até a hipótese de que seja decorrente de vestígios de radiação da passagem de um satélite em órbita alta.

No entanto, os cientistas apontam problemas para cada hipótese, incluindo o fato de que os sinais só terem sido captados na observação de Ross 128 - várias outras estrelas estavam sendo observadas por equipes do PHL - e o de que não há registro de um satélite emitindo ondas como as detectadas.

Anãs-vermelhas são as estrelas mais comuns do universo, representando mais de 70% do total
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Foto: BBCBrasil.com

Para aumentar o mistério, os sinais eram por demais fracos para que outros radiotelescópios do mundo os captassem. O único com capacidade semelhante para isso, o Fast, da China, não está operacional no momento, segundo o PHL.

Mendez não descarta que o sinal possa ter origem alienígena, mas diz que a opção é a "última de uma lista de possíveis explicações".

Para Seth Shostak, astrônomo-chefe do Seti, o programa americano de busca por vida extraterrestre, o mais provável é que Arecibo tenha captado uma interferência comum.

Em 1998, por exemplo, uma equipe de investigadores australianos anunciou ter captado sinais estranhos que durante anos intrigaram a comunidade astronômica, mas que em 2017 foram identificados como efeito colateral da fome e da pressa de funcionários do Observatório Parkes - eles usavam o forno de micro-ondas, abriam a porta antes do fim do programa, e a radiação era detectada por seu radiotelescópio.

Ainda assim, Shostak pede que as ondas de Ross 128 sejam investigadas.

"Não podemos deixar de investigar um possível sinal alienígena só porque pensamos que é uma interferência".

Apesar de não acreditar que o sinal tenha origem alienígena, a equipe do PHL está convencida de que ele vem dos confins dos espaço. O motivo é que ondas de rádio captadas continham evidências de um fenômeno conhecido como dispersão - um embaralhamento de frequências causado por partículas espaciais.

O mistério poderá ser desvendado em breve, já que no último domingo Mendez e sua equipe tiveram outra chance de observar a anã-vermelha - e a análise de dados deverá ser concluída até o final da semana.

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