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A surpreendente descoberta sobre o núcleo do Sol que intriga cientistas

Cientistas analisaram comportamento de ondas acústicas na atmosfera e concluíram que o centro do Sol gira quase 4 vezes mais rápido que a superfície da estrela.

4 ago 2017
08h36
atualizado às 08h51
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O núcleo do Sol gira quase quatro vezes mais rápido do que a superfície da estrela.

Descoberta foi baseada em dados fornecidos pela sonda SoHo, projeto da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia
Descoberta foi baseada em dados fornecidos pela sonda SoHo, projeto da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia
Foto: BBCBrasil.com

A descoberta, publicada na revista Astronomy and Astrophysics , surpreendeu os cientistas.

A ideia de que o núcleo solar pudesse girar mais rápido do que sua superfície era motivo de especulação há mais de duas décadas, mas o fenômeno nunca tinha sido de fato medido.

"A explicação mais plausível é que a rotação do núcleo seja um resquício do período em que o Sol se formou, há cerca de 4,6 bilhões de anos", afirma Roger Ulrich, professor emérito da Universidade da Califórnia em Los Angeles e um dos autores do estudo.

"É muito emocionante pensar que descobrimos uma relíquia da formação do Sol", acrescenta o cientista, que estuda o interior do astro há mais de 40 anos.

Quando o Sol nasceu

A rotação do núcleo solar pode dar pistas sobre o processo de formação da estrela.

De acordo com Ulrich, após o nascimento do Sol, o vento solar provavelmente desacelerou a rotação da parte mais externa da estrela.

Rotação mais rápida no núcleo do Sol pode ser um vestígio da formação da estrela
Rotação mais rápida no núcleo do Sol pode ser um vestígio da formação da estrela
Foto: BBCBrasil.com

A rotação também pode ter impacto sobre as manchas solares, segundo o especialista.

As manchas solares são áreas do Sol com uma temperatura mais baixa do que o ambiente e elevada atividade magnética.

Uma única mancha pode ter diâmetro semelhante ao da Terra.

Oscilações

Os pesquisadores analisaram as ondas acústicas na superfície da atmosfera solar - algumas penetram no núcleo e interagem com outras ondas.

As áreas brancas da imagem correspondem às zonas do Sol em que o campo magnético é mais forte
As áreas brancas da imagem correspondem às zonas do Sol em que o campo magnético é mais forte
Foto: BBCBrasil.com

Ao medir as ondas sonoras, os cientistas determinaram com precisão o tempo que essas ondas levam para ir e voltar da superfície para o centro do Sol.

Os cálculos foram baseados em dados coletados durante 16 anos de observações com um instrumento chamado Golf, sigla para Global Oscillations at Low Frequency (Oscilações Globais de Baixa Frequência).

O instrumento se encontra, por sua vez, em uma sonda especial chamada SoHo, abreviação para Solar and Heliospheric Observatory (Observatório Solar e Heliosférico), projeto da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia.

15 milhões de graus

O núcleo do Sol também se diferencia da superfície em outro sentido.

A temperatura do núcleo é de cerca de 27 milhões de graus Fahrenheit ou 15 milhões de graus Celsius. Já a superfície da estrela é menos quente, com temperatura de aproximadamente 10 mil graus Fahrenheit ou 5,5 mil graus Celsius.

Enviada ao espaço em 2 de dezembro de 1995 para estudar o núcleo do Sol, a atmosfera solar e os ventos solares, a sonda SoHo segue em operação.

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