Troca de seções eleitorais foi solicitada por tribunais estaduais
Diferentemente do que postagens no X apontam sobre mudanças das seções eleitorais, alteração não foi decisão unilateral do presidente do TSE; nota dos Tribunais Regionais Eleitorais esclarece que a mudança tem como foco prevenir imprevistos no dia da votação.
Diferente de boatos das redes sociais, a alteração de 444 locais de votação para o segundo turno partiu dos Tribunais Regionais Eleitorais, e não de uma decisão individual do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. As mudanças, comuns nos pleitos, foram motivadas por eventos climáticos extremos, segurança e reformas prediais em 22 estados. Para evitar transtornos, a Justiça Eleitoral orienta que os eleitores confirmem suas respectivas seções com antecedência pelo aplicativo e-Título ou no portal do TSE.
Investigado por: Zero Hora, Correio do Estado, Projeto Comprova
Conteúdo analisado: Publicações nas redes sociais afirmam que a mudança de locais de votação para o segundo turno das eleições teria ocorrido por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e pode prejudicar o resultado do pleito.
Onde foi publicado: X.
Contextualizando: Publicações nas redes sociais afirmam que as mudanças nos locais de votação para o segundo turno das eleições 2026 podem prejudicar o resultado do pleito. Fora de contexto, os conteúdos podem levar à interpretação de que as mudanças foram realizadas para beneficiar um candidato ou interferir no resultado da votação.
Conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as alterações entre o primeiro e o segundo turno acontecem em todas as eleições e "seguem regras e atendem a necessidades de segurança", como adversidade climática. O site do TSE cita que as mudanças ocorrem principalmente devido a intempéries climáticas e à preservação da integridade física de eleitoras, eleitores, mesárias e mesários.
Um dos casos emblemáticos ocorreu no município de Confresa, no interior de Mato Grosso. Após fortes chuvas e ventos registrados em 9 e 10 de outubro, uma escola municipal utilizada como local de votação teve a cobertura danificada e sofreu com infiltrações e comprometimento de forros.
Um laudo de engenharia emitido em 11 de outubro recomendou a interdição preventiva imediata do imóvel, o que forçou a transferência de emergência das seções para um endereço vizinho.
Além dos eventos climáticos extremos, manutenções prediais de última hora, reformas não concluídas em escolas públicas e perda de condições mínimas de acessibilidade ou fornecimento de energia elétrica também motivaram decisões das zonas eleitorais responsáveis.
O TSE esclarece que as alterações são feitas primeiramente pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e cartórios locais. Depois, são encaminhadas para o TSE, que compila e divulga as informações no site e no aplicativo e-Título.
Os locais de votação são definidos previamente, mas o TSE alerta que situações excepcionais, como danos estruturais ou emergências climáticas, podem exigir mudanças de última hora, até mesmo no dia da votação, para garantir a segurança dos eleitores e dos mesários. Até o último levantamento, feito em 19 de outubro, o TSE alterou 444 locais de votação do primeiro para o segundo turno em 22 estados, tendo atingido cerca de 130 mil eleitores, segundo reportagem do G1.
A decisão foi do ministro Kassio Nunes Marques?
Não, a decisão partiu dos próprios Tribunais Regionais Eleitorais.
Em 19 de outubro, o Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel) divulgou uma nota conjunta, endereçada ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, com esclarecimentos sobre a atualização dos locais de votação para o segundo turno das eleições, onde destacam que "os principais motivos que levam os TREs a realizar essas alterações são sempre extraordinários e estão relacionados à ocorrência de situações climáticas extremas, a problemas não identificados previamente na infraestrutura dos prédios utilizados como locais de votação e a questões de segurança pública". No documento, os TREs esclarecem que a alteração dos locais de votação é de competência exclusiva dos tribunais.
A mudança de locais de votação não é uma prática inédita. Em eleições anteriores, TREs de diferentes estados adotaram medidas semelhantes por razões como reformas em escolas e problemas estruturais. Em 2018, mais de 90 mil eleitores tiveram o local de votação alterado em Belo Horizonte, segundo informações do TRE de Minas Gerais obtidas pelo G1.
O que o eleitor deve fazer?
A Justiça Eleitoral orienta os eleitores a consultar o endereço e o número da seção antes de sair de casa para votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A consulta pode ser feita pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do TSE, ou pelo aplicativo e-Título. Também é recomendável acompanhar os comunicados do TRE do respectivo estado.
Os dados de seções eleitorais em que houve alteração do local de votação do primeiro para o segundo turno das Eleições 2026 podem ser consultados no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na página de estatísticas eleitorais, em "Eleitorado da eleição" e, depois, "em Capilaridade", no menu lateral esquerdo. Dentro da página, localize "Seções Eleitorais Alteradas no Segundo Turno". No alto da página, é possível filtrar a pesquisa por ano de eleição, país, região, UF, município, zona eleitoral e local de votação.
Os números ainda estão sendo atualizados à medida que as zonas eleitorais concluem os registros e ajustes necessários nos sistemas da Justiça Eleitoral, inclusive para refletir a manutenção, no segundo turno, de locais que haviam sido alterados provisoriamente no primeiro.
Reação
Com receio de que alterações nos locais de votação aumentem a abstenção, que foi de 21,08% no primeiro turno, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação do presidente Lula pediram providências ao TSE.
Em ofício ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defendeu a notificação dos eleitores por WhatsApp e SMS, a instalação de avisos nos prédios desativados e a presença de orientadores no dia do pleito. Já a campanha petista solicitou reforço na divulgação das mudanças e oferta de transporte público aos eleitores.
Fontes consultadas: O Comprova buscou informações no site do TSE e notícias veiculadas sobre o assunto.
Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Para se aprofundar mais: O Comprova checou conteúdos semelhantes, como uma sobre a entrega das mídias com os resultados das urnas usadas nas eleições ser feita em uma sala aberta, além de outra envolvendo a contagem de votos no primeiro turno das eleições gerais de 2026. A Lupa fez uma checagem sobre conteúdos desinformativos que circulavam contra o sistema eleitoral. O Estadão Verifica e a AFP também checaram conteúdos semelhantes. O Comprova Explica também publicou dicas e orientações para o segundo turno das eleições.
Verificado por: Agência Tatu, A Gazeta, Projeto Comprova
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