Petrobras e distribuidoras negam existir desabastecimento de combustíveis
POSTAGENS NAS REDES SOCIAIS VIRALIZARAM FALANDO DE FALTA DE PRODUTO NOS POSTOS, MAS ASSOCIAÇÕES DISSERAM NÃO HAVER ESCASSEZ GENERALIZADA
Em meio à alta do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, publicações nas redes sociais viralizaram alegando desabastecimento de combustível nos postos brasileiros. De fato, faltou diesel para produtores rurais no Sul do País. Mas a Petrobras e associações de distribuidoras negaram haver escassez generalizada.
A Petrobras informou não ter identificado problemas para o abastecimento do País na semana passada. A empresa monitora a situação em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Ministério de Minas e Energia e outras entidades do setor.
Instituições que representam distribuidoras também dizem não ter registrado irregularidades até o momento. A Associação de Distribuidoras de Combustível (Brasilcom) informou ao Verifica que nenhuma de suas associadas relatou anormalidades no fornecimento.
Diesel teve alta de quase 20% no Brasil desde o início da guerra no Oriente Médio, diz levantamento
Na mesma linha, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis afirmou desconhecer qualquer problema no abastecimento em suas bases.
A entidade reúne oito sindicatos regionais do setor, incluindo Sindiminas (MG), Sindisul (RS), Sindesc (SC), Sicompar (PR), Sindigoias (GO), Sidicoesp (SP), Sindimat (MT) e Sindipe (PE), que atuam diretamente na distribuição em diferentes regiões do País.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, um eventual desabastecimento no Brasil estaria mais associado a um descompasso entre os preços internos e os valores praticados no mercado internacional.
Ele ressalta que esse ponto é relevante porque a Petrobras tem papel predominante no setor, respondendo por cerca de 55% da produção de diesel e por até 70% da comercialização.
Governo anuncia ações para reduzir impacto da alta do diesel e conter insatisfação de caminhoneiros
No caso do diesel, cerca de 25% do combustível vendido no Brasil em 2024 foi importado, segundo a ANP. Esse cenário torna o País mais exposto às oscilações do mercado internacional de petróleo e ajuda a explicar a maior sensibilidade a variações de preços.
O Estadão mostrou que o preço do diesel subiu 20% desde o início da guerra no Oriente Médio. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostrou que o preço médio do diesel-S10 comum no País saiu de R$ 5,43 em 1º de março para R$ 6,50 na última segunda-feira, 16, com variação de R$ 1,07.
Para tentar conter o preço do combustível, o governo federal anunciou, na última semana, um pacote de medidas que inclui a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Nesta quarta-feira, 18, por conta da alta e da ameaça de greve dos caminhoneiros, o governo anunciou mais medidas. Também pediu aos Estados que zerem o ICMS do diesel importado e propôs arcar com 50% das perdas.
A Petrobras afirma que, apesar das incertezas no cenário internacional, tem mantido o abastecimento regular no País. De acordo com a empresa, as entregas vêm sendo cumpridas normalmente, com oferta às distribuidoras em níveis até superiores aos acordados. A estatal sustenta que não há falta de combustíveis nem justificativa para repasses considerados abusivos ao consumidor final.