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Imagem de congestionamento de navios não foi feita no Estreito de Ormuz

TRÂNSITO DE EMBARCAÇÕES EM UMA DAS PRINCIPAIS ROTAS DO PETRÓLEO NO MUNDO, NO IRÃ, ESTÁ RESTRITA DEVIDO A GUERRA; REGISTRO QUE CIRCULA NAS REDES SOCIAIS MOSTRA REGIÃO NA SINGAPURA

27 mar 2026 - 17h00
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O que estão compartilhando: imagem aérea que mostra dezenas de navios ancorados em uma mesma região. A alegação é de que se trata do Estreito de Ormuz, no Irã, que teria sido reaberto. O tráfego só poderia ser feito mediante o pagamento de um pedágio de US$ 2 milhões ao Irã.

Captura de tela da postagem que circula fora de contexto
Captura de tela da postagem que circula fora de contexto
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica apurou e concluiu que: está fora de contexto. A imagem mostra o tráfego de navios no Estreito de Singapura, segundo dados que constam no perfil que originalmente postou o vídeo. Dados divulgados na imprensa mostram que a circulação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo e gás no mundo, foi reduzida em cerca de 95%. Atualmente, até seis navios por dia circulam na região. Antes, eram aproximadamente 130 embarcações diariamente.

Saiba mais: a imagem foi gravada de dentro de um avião com características de ser um modelo de voo comercial. Ele voa a uma baixa altura e parece estar se aproximando de uma área continental plana. A turbina e a asa têm detalhes em azul.

A imagem vem circulando em diversas postagens no Brasil e no exterior nos últimos dias, com a alegação de que a imagem mostra navios no Estreito de Ormuz, uma passagem de água entre o Irã e Omã.

A rota é a única saída marítima para países produtores de petróleo e gás como Kuwait, Irã, Iraque, Catar e Emirados Árabes Unidos. Com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o tráfego de navios foi reduzido drasticamente, com impactos no mercado de energia internacional.

Mas a imagem que vem circulando não mostra navios no Estreio de Ormuz. As agências de checagens Ellinika Hoaxes, da Grécia, e Fact Crescendo, do Sri Lanka, traçaram a origem do vídeo: ele foi postado originalmente (abaixo), no dia 17, por um usuário no Instagram e mostra a região do Estreito de Singapura, onde há um dos maiores fluxos de navios comerciais do planeta.

O Instagram mostra que a conta é da Índia. O vídeo foi postado também nos destaques do perfil, onde o usuário acrescentou as bandeiras da Índia e de Singapura com o ícone de um avião entre elas (abaixo), indicando a imagem retratava um voo da Índia para a Singapura.

Próximo ao Estreio de Singapura está situado o aeroporto de Changi, como pode se observar na ferramenta de geolocalização Google Earth. Na imagem de satélite, é possível ver dezenas de embarcações na região (abaixo).

No Facebook, o mesmo usuário que postou o vídeo originalmente no Instagram compartilhou uma imagem com localização no aeroporto de Changi:

Na internet ainda consta uma série de imagens semelhantes às do vídeo e creditadas a Singapura, o que confirma que o registro nas postagens enganosas foi feito lá (aqui, aqui e aqui). Um outro exemplo é este vídeo.

Situação no Estreito de Ormuz

Pelo Estreito de Ormuz, transita cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo e um quinto do gás natural liquefeito (GNL). Com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o tráfego de navios foi reduzido drasticamente e vem sendo controlado pelos iranianos. A restrição vem causando impactos ne economia global.

No dia 22, o Irã comunicou à Organização Marítima Internacional (OMI) que a circulação de navios no Estreito de Ormuz está liberada para "navios não hostis".

A agência de notícias Bloomberg divulgou que autoridades iranianas estão cobrando taxas de algumas embarcações para transitar pela região. Os pagamentos podem chegar a até US$ 2 milhões, segundo fontes ouvidas pela agência.

Estimativas apontam que, antes da atual guerra na região, cerca de 130 embarcações passavam por dia pelo local. Hoje, o fluxo caiu para até seis navios diariamente, uma redução de cerca de 95%. No dia 25, a CNN Brasil divulgou que dados de rastreamento mostraram que quatro embarcações haviam cruzado o Estreito de Ormuz em 24 horas.

Estadão
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