É falso áudio com voz atribuída a Moraes sobre restringir visitas a Bolsonaro
CONTEÚDO CRIADO POR IA INVENTA QUE MINISTRO TERIA PROIBIDO ACOMPANHAMENTO A EX-PRESIDENTE, QUE ESTÁ INTERNADO
O que estão compartilhando: áudio em que uma voz parecida com a do ministro Alexandre de Moraes diz a um delegado para "não dar moral pra ninguém, pra visitar ou acompanhar Bolsonaro, nem de urgência nem emergência". Moraes teria dito ainda permissões de visita seriam dadas por ele, somente após 24 horas, mesmo se Bolsonaro corresse risco de vida. "Se ele resistir, bem, se não, não posso fazer nada", teria dito ele.
O Estadão Verifica apurou e concluiu que: é falso. O áudio tem vários sinais de geração por inteligência artificial: o ritmo da fala não é natural, o som é robótico e não há entonação ao final das frases. O conteúdo circula desde janeiro e não foi reproduzido por nenhuma fonte confiável. A gravação foi divulgada por homem desmentido em diversas ocasiões pelo Verifica por espalhar mídias criadas com IA. O Supremo Tribunal Federal (STF) negou a veracidade do áudio.
Saiba mais: a gravação circula desde o dia 8 de janeiro. Ela voltou a ser compartilhada recentemente diante das notícias de agravamento da saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está internado no hospital DF Star.
Um dos posts diz: "cadê os órgãos brasileiros, pagos com o nosso dinheiro, que tem uma prova desta nas mãos e não fazem nada!". Há comentários de pessoas que parecem ter acreditado. "Ele vai pagar caro por isso", "E ninguém faz nada" e "Não esquece disso, Flávio (Bolsonaro)", são algumas das manifestações. Mas o áudio é falso.
Não há qualquer registro da gravação em fonte confiável ou em veículos de imprensa, o que certamente teria ocorrido se o áudio fosse verdadeiro. Procurado, o STF desmentiu o conteúdo.
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O conteúdo foi divulgado inicialmente por um homem conhecido por divulgar áudios falsos, criados por inteligência artificial. Ele publica conteúdos sempre da mesma forma: filma a si mesmo e usa o próprio celular para tocar os áudios "vazados".
No caso do conteúdo analisado aqui, ele se gravou usando uma fantasia de policial, com algema e arma. Ele diz ter achado o áudio na deep web e reproduz a mídia a partir de um celular.
Mas a gravação contém vários sinais de IA. O ritmo da fala é muito constante, de maneira artificial. A voz não dá entonação ao final das frases e a qualidade do som é robótica. Essas características são comuns a conteúdos gerados artificialmente.
Para dificultar a detecção do uso de IA, o autor do vídeo reproduz o áudio no celular e coloca uma música alta no fundo.
Ele já teve diversos conteúdos desmentidos pelo Verifica: três deles divulgavam gravações falsamente atribuídas a Moraes (aqui, aqui e aqui). Há outros exemplos envolvendo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (aqui), o jornalista William Bonner (aqui) e o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro (aqui).