Chanceleres de Reino Unido, França e Alemanha se reúnem com Irã para discutir conflito no Oriente Médio
A reunião prevista para esta sexta-feira (20), em Genebra, reúne os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha — os chamados E3 — com o chefe da diplomacia do Irã, Abbas Araqchi, para tratar de tensão na região e do futuro do programa nuclear iraniano. O encontro presencial partiu de iniciativa iraniana, com apoio mútuo para avançar em negociações diplomáticas.
Irã e Europa tentam manter diálogo diplomático
O debate terá como pano de fundo o histórico de 2013, quando Irã e grandes potências firmaram acordo em Genebra, abrindo mão de seu programa nuclear em troca do levantamento de sanções. Esse tratado, assinado durante a presidência de Barack Obama, foi abandonado por Donald Trump entre 2017 e 2020, quando os EUA se retiraram.
Agora, o encontro ocorre após o fracasso de novas negociações entre Irã e EUA, pressionado por uma ofensiva aérea israelense lançada em 12 de junho. Um diplomata europeu afirmou: "Os iranianos não conseguem se sentar com os americanos, enquanto nós conseguimos. Vamos dizer a eles para voltarem à mesa de negociações sobre a questão nuclear antes que o pior aconteça, ao mesmo tempo em que levantamos nossas preocupações com relação a seus mísseis balísticos, apoio à Rússia e detenção de nossos cidadãos."
Para as potências europeias, há insatisfação com a postura dos EUA: consideram algumas exigências do ex-presidente Trump irreais e temem um acordo inicial fraco que se prolongue indefinidamente. Este clima de ceticismo molda a expectativa de um desfecho modesto em Genebra — e mesmo a presença do Chefe da Diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, não eleva o otimismo.
Mesmo sem grandes avanços previstos, os interlocutores enfatizam a importância de manter canais abertos com Teerã. Afinal, ainda que um cessar-fogo fosse alcançado, não bastaria conter apenas o conflito: o conhecimento técnico acumulado pelo Irã representa um risco, pois pode garantir àquele país capacidade de retomar seu programa nuclear de forma clandestina.
De acordo com um funcionário iraniano, Teerã sempre defendeu a diplomacia como via principal de solução — mas ressalta que "a diplomacia está sob ataque". Por isso, pede ao E3 que pressione Israel a interromper os ataques contra seu território, reforçando o compromisso iraniano com o diálogo como alternativa viável.
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