Caso do bolo envenenado: Inquérito é concluído e polícia aponta motivação do crime
Bolo envenenado que matou três pessoas da mesma família tem caso concluído; motivação dos assassinatos é divulgada pela polícia
A tragédia que abalou a cidade de Torres, no Rio Grande do Sul, teve uma conclusão divulgada pela Polícia Civil. Na semana do Natal, três pessoas da mesma família morreram após ingerirem um bolo envenenado durante confraternização. Em janeiro, Deise Moura dos Anjos foi presa por suspeita de ter cometido o crime. Na última semana, no entanto, a acusada foi encontrada morta dentro da cadeia, trazendo novas reviravoltas para o caso.
Descoberta do crime
Em entrevista ao G1, Marguet Mittman, diretora do Instituto-Geral de Perícias (IPG), disse que, após análises laboratoriais, foi possível concluir que a farinha utilizada no preparo do bolo estava envenenada. "Foram identificadas concentrações altíssimas de arsênio nas três vítimas, tão elevadas que são tóxicas e letais", explicou.
Na época, a principal suspeita do crime era Deise. A mulher é nora de Zeli dos Anjos, de 61 anos, responsável por preparar o bolo na ocasião. Apesar de também ter ingerido a sobremesa, Zeli conseguiu sobreviver. Duas das vítimas, Maida Berenice Flores da Silva, de 58 anos, e Neuza Denize Silva dos Anjos, de 65 anos, eram irmãs de Zeli. Já a terceira, Tatiana Denize Silva dos Anjos, de 47 anos, era sua sobrinha.
Resultado do inquérito
Na sexta-feira (21), foi divulgado pela Polícia Civil as conclusões sobre o inquérito. Além de ser investigada pelo bolo envenenado, Deise também foi acusada de envenenar alimentos ingeridos pelo sogro, Paulo, falecido dois meses antes.
A apuração revelou, portanto, que Deise agiu sozinha e foi responsável por quatro homicídios triplamente qualificados, além de quatro tentativas de homicídio. Como a acusada veio a óbito, no entanto, o caso terá extinção de punibilidade.
Motivação dos crimes
Durante coletiva de imprensa, Sabrina Deffente, delegada regional do Litoral Norte, afirmou que a principal motivação dos crimes está relacionada à uma grave perturbação mental por parte da assassina. "Até se cogitou uma motivação financeira, mas quando descobrimos que ela tentou matar o marido e o filho, a motivação financeira foi descartada", declarou.
Enquanto estava detida na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, Deise escreveu cartas que, segundo Fernando Sodré, chefe da Polícia Civil, demonstraram "certa raiva e busca por um perdão, que não veio e não viria".
Em um dos textos, Deise se dirigiu à sogra, Zeli dos Anjos: "Muito obrigada por esses 20 anos que fez da minha vida de casada um inferno. Mais uma vez, eu sou a vilã e você a mocinha. Conseguiu ficar com tudo o que é meu, minha família, minha casa", disse ela.