CARROS ELÉTRICOS: Entenda como fazer o carregamento seguro
O primeiro incêndio em um carro elétrico no Brasil, ocorrido no RS com um BYD Dolphin, acendeu o alerta para a segurança na recarga. Segundo a ABVE, a provável causa foi o uso inadequado de extensão e carregador confinado, gerando superaquecimento. Para evitar acidentes, especialistas recomendam nunca usar extensões ou carregar em locais fechados, priorizando carregadores fixos (wallbox) homologados e instalados por profissionais habilitados conforme as normas da ABNT.
Pela primeira vez, foi registrado um incêndio envolvendo um carro elétrico no Brasil. O caso, que ocorreu no Rio Grande do Sul, chamou a atenção dos internautas após imagens do BYD Dolphin em chamas, compartilhadas por moradores da região, se espalharem rapidamente pela internet.
O Corpo de Bombeiros do RS ainda não divulgou a perícia do veículo, nem confirmou o ponto inicial do incêndio. Clemente Gauer, membro do conselho de diretores da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foi responsável por compartilhar os primeiros relatos sobre o caso e comentou sobre o incidente no LinkedIn.
"Pelos relatos iniciais, a provável causa não foi o veículo em si, mas uma improvisação de recarga: uma extensão passada pela janela até a rua, com sobra de cabo e o carregador portátil deixados confinados dentro do carro para evitar furtos. Esse arranjo aumenta o risco de aquecimento e curto-circuito — uma gambiarra que não deve ser replicada. (A perícia técnica é quem confirmará a causa exata.)", relatou Gauer na publicação.
Apesar do susto, Gauer reforça que o caso deve ser um alerta para a segurança de veículos elétricos, que, mesmo com a bateria não comprometida, não são 100% seguros como muitos acham. O profissional explica que as explosões vistas nas imagens, embora assustadoras, ocorreram devido ao detonador do airbag, e não têm relação com o sistema elétrico do veículo.
Como garantir o carregamento com segurança?
Em casos de carregamento domiciliar de carros elétricos e instalação de carregadores, a ABVE e outros órgãos de segurança recomendam que instruções específicas sejam seguidas para reduzir o risco de acidentes.
Para começar, é necessário evitar extensões. Como visto no caso do BYD Dolphin, esse tipo de dispositivo não suporta a alta corrente elétrica necessária para carregar um veículo elétrico e pode levar ao superaquecimento, curto-circuito ou até mesmo a um incêndio do modelo.
A segunda recomendação dos órgãos é evitar o carregamento do carro em local fechado, ou com o carregador dentro do veículo. O ideal é utilizar um local que seja bem ventilado e manter o equipamento fora do carro, devido à intensa corrente elétrica exigida pela ação e ao fácil superaquecimento.
Por fim, é necessária a instalação correta do carregador. Enquanto os carregadores portáteis oferecidos pelas montadoras podem ser úteis em situações emergenciais ou pontuais. É recomendado que donos de veículos elétricos invistam em um carregador fixo (wallbox), ligado a um circuito elétrico dedicado.
A instalação do carregador deve seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e precisa ser feita com laudo elétrico e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) emitida por profissional habilitado. Além disso, é de extrema importância utilizar equipamentos homologados e certificados por órgãos como o Inmetro.
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