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Carro antigo virou negócio gigante: como os clássicos ganharam as montadoras

No ABX26, gigantes como VW e Stellantis debateram como o 'heritage' virou ativo financeiro, diferencial contra chinesas e fonte de receita

2 out 2026 - 19h12
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Resumo
O evento ABX26 consolidou os carros clássicos como um setor estratégico para a indústria automotiva nacional. Fabricantes como Volkswagen e Stellantis transformam seu patrimônio histórico em ativos de valor cultural e econômico para enfrentar a concorrência de marcas chinesas. Além de aproximar o antigomobilismo do universo corporativo, o encontro debateu a profissionalização do segmento, com foco no aquecimento do mercado de leilões e na superação dos desafios para a precificação dos veículos.

Realizada na última quinta-feira (1º), em São Paulo, a oitava edição do Automotive Business Experience - ABX26 levou os carros clássicos para o ambiente de negócios da indústria automotiva. Para alguns especialistas do setor, foi o movimento que faltava para grifar, ilustrar e mensurar a devida (e nem sempre reconhecida) relevância mercadológica do segmento.

Para se ter uma ideia da dimensão do ABX26, executivos como Gastón Dias Perez, presidente e CEO da Bosch; Igor Calvet, presidente da Anfavea (associação dos fabricantes de veículos), e Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil; debateram, apontaram tendências e discutiram os desafios da indústria nacional. E duas das maiores fabricantes de automóveis do País protagonizaram um dos principais debates acerca dos horizontes do mercado de clássicos.

Montadora também aposta em carro clássico

Ricardo Dilser, gerente de imprensa, comunicação digital e clássicos da Volkswagen do Brasil, apresentou os últimos passos da empresa dentro do segmento - como o ecossistema ao redor da Garagem Volkswagen, que além do espaço de 1.830 m2 para exibir os cerca de 100 exemplares do acervo da empresa, conta com uma página no Instagram e um podcast que aguarda a segunda temporada.

Daniel Simonetti, responsável pela comunicação das marcas Fiat e Abarth no Brasil, adiantou que um acervo de clássicos do grupo Stellantis começa a ser constituído, mas frisando a importância de elevar a preservação do patrimônio das fabricantes ao patamar de elemento institucional e gerador de valores culturais e financeiros.

O executivo destacou os exemplos do Heritage Hub, museu de clássicos que o conglomerado mantém em Turim, na Itália, e a realização do rali de regularidade que celebrou os 65 anos da revista Quatro Rodas.

"Marcas tradicionais têm percebido que o legado histórico pode ser um diferencial de valor diante da ascensão das marcas chinesas. E portanto começam a tratar o 'heritage' como ativo, com departamentos de clássicos, certificação de originalidade, peças de reposição e edições comemorativas", pondera Henrique Mendonça, da O Acervo, lembrando de exemplos nacionais e internacionais.

Leilões e os desafios do preço do carro antigo

Assunto já abordado nesta coluna, o mercado de leilões teve novamente seus gargalos, desafios e bastidores esmiuçados.

Joel Augusto Picelli, da Picelli Leilões, diz que o "antigomobilismo é o que mantém viva a história da indústria automobilística. Por outro lado, o setor vem ganhando destaque: desde 2020 pra cá, está se construindo um mercado de veículos antigos completamente novo, que precisa ter cada vez mais presença nesse tipo de evento".

Ele prossegue: "A gente enxerga essas oportunidades, mas o sistema financeiro ainda não. Portanto, a partir do momento em que esse tema é levado para um pavilhão de negócios, ele passa a ser visto de maneira mais séria pelo universo corporativo",.

Outra discussão relevante trazida para o espaço de 280 m2 - embelezado por uma Ferrari F40, um Porsche 911 da geração 993 e um Volkswagen Gol GTi com apenas 2,8 mil quilômetros rodados, todos emprestados do acerco do Carde -, foi o desafio de precificar veículos antigos no Brasil.

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"Para o setor antigomobilista como um todo, um espaço como o ABX26 abriu é fundamental para impulsionar o segmento. Em eventos assim conhecemos outras iniciativas na área, apresentamos o trabalho a stakeholders e ganhamos uma visibilidade que só se alcança nesse tipo de ambiente", reflete Vinícius Ribeiro, criador da plataforma de apuração de valores, prevista para estrear em novembro.

Em sua segunda participação, Marco Pigossi, da Veloce Motori Classici, destacou o crescimento do assunto da sétima para a oitava edição. "No ano passado, muitas pessoas estranharam uma loja de clássicos estar num evento de negócios. Mas uma das principais características do ABX26 é justamente juntar pessoas de diferentes esferas do universo automotivo que normalmente não se conectariam", reflete.

Estadão
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