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BYD: relatório denuncia jornadas de 14 horas e salários retidos na Europa

Entenda as graves acusações da ONG China Labour Watch sobre as condições de trabalho na construção da unidade húngara da gigante dos elétricos

16 abr 2026 - 22h17
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A gigante chinesa BYD, consolidada como a maior fabricante de veículos elétricos do planeta, enfrenta uma crise de reputação após denúncias de práticas trabalhistas abusivas em sua nova unidade na Hungria. O fato mais impactante do caso é a revelação de um relatório da ONG China Labour Watch, que aponta condições precárias para os milhares de operários trazidos da China para construir a fábrica em Szeged. Com um investimento anunciado de 6 bilhões de dólares e capacidade para produzir 300 mil carros por ano, o projeto deveria ser o marco da expansão da empresa na Europa. No entanto, as informações divulgadas pelo Jornal do Carro do Estadão mostram que os bastidores da obra são marcados por relatos de jornadas exaustivas e retenção de salários.

As acusações são baseadas em entrevistas com mais de 50 funcionários que preferiram manter o anonimato para evitar retaliações
As acusações são baseadas em entrevistas com mais de 50 funcionários que preferiram manter o anonimato para evitar retaliações
Foto: BYD/Divulgação / Perfil Brasil

As acusações são baseadas em entrevistas com mais de 50 funcionários que preferiram manter o anonimato para evitar retaliações. Os trabalhadores relataram jornadas de trabalho de sete dias por semana, sem qualquer folga para descanso, com turnos que variavam de 12 a 14 horas diárias. Além disso, as testemunhas afirmam que não recebiam o pagamento de horas extras e enfrentavam atrasos de até três meses nos salários. Outro ponto crítico do relatório envolve a situação migratória dos operários, que teriam entrado na Hungria com vistos de negócios em vez de permissões de trabalho. Essa irregularidade tornava os imigrantes vulneráveis, impedindo o acesso a tratamentos de saúde e facilitando abusos por parte de empresas intermediárias contratadas para a obra.

A organização sediada em Nova York aponta que a BYD utiliza um sistema de contratação por terceiros que dificulta a responsabilização direta da montadora. Até o momento, a empresa não divulgou um posicionamento público global sobre as denúncias feitas na Europa. É importante destacar que esta não é a primeira vez que a fabricante se envolve em polêmicas desta natureza. No Brasil, a BYD foi autuada em 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego após uma investigação identificar trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão na fábrica de Camaçari, na Bahia.

Recentemente, no início de abril, a BYD chegou a ser incluída na Lista Suja do Trabalho Escravo do governo federal brasileiro. Contudo, a empresa conseguiu uma decisão liminar na Justiça do Trabalho para retirar seu nome da atualização semestral da lista. Enquanto a produção global da marca continua batendo recordes, a pressão de órgãos internacionais de direitos humanos cresce. O relatório da ONG foi replicado por grandes redes de notícias, como a CBC e a rádio pública americana The World, reforçando a necessidade de transparência nas cadeias de suprimento e construção da indústria automotiva elétrica mundial.

Perfil Brasil
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