Brasileira relata ter sido abandonada pela Air France no Senegal após passar mal durante voo
Durante uma viagem de retorno ao Brasil, a arquiteta Júlia Moraes, de Belém (PA), viveu uma experiência traumática. Após embarcar em Paris na última terça-feira (12), a brasileira passou mal durante um voo da Air France com destino ao Rio de Janeiro. A aeronave desviou sua rota e fez um pouso emergencial em Dacar, capital do Senegal, onde Júlia foi retirada da aeronave para atendimento médico.
O que seria uma medida de segurança terminou em um impasse. A passageira afirma que foi deixada no Aeroporto Blaise-Diagne sem suporte adequado por parte da companhia aérea. Segundo ela, não houve qualquer encaminhamento formal a hospitais ou serviços consulares.
Quem deve prestar apoio ao passageiro em uma emergência médica?
Júlia descreveu dores intensas, vômitos com sangue e confusão mental. "Eu fui retirada do avião e acordei em uma enfermaria dentro do Aeroporto Blaise-Diagne. Após me medicarem com um soro, eu estava completamente vulnerável física e psicologicamente", escreveu em relato publicado nas redes sociais.
A brasileira também criticou a falta de informações e apoio. Disse ter sido informada que, para procurar um hospital ou hospedagem, teria de arcar com todos os custos. A mesma condição foi apresentada para a emissão de uma nova passagem. "Ao acordar completamente desorientada, fui informada que se eu quisesse ir a um hospital ou hotel eu teria que arcar com os custos e que se eu quisesse retornar para o Brasil, eu também teria que comprar uma nova passagem. Eu tinha seguro-viagem, porém fui informada que essa situação não estava coberta", relatou.
Sem recursos, ela permaneceu no aeroporto, dormindo nas cadeiras do terminal. "Estou aqui desde o dia 12 contando com a solidariedade apenas dos funcionários do aeroporto", escreveu.
A família precisou intervir. Um bilhete de R$ 15 mil foi comprado, mas, ao tentar embarcar, Júlia foi informada de que a passagem havia sido cancelada, mesmo após um dia inteiro de espera sem alimentação ou água. Um segundo bilhete foi emitido, agora pela companhia TAP, com escala em Lisboa e destino final em Belém.
Ela embarcou na madrugada de sexta-feira (15), no horário local, mas enfrentou novos entraves com as autoridades senegalesas. Júlia afirma que a Air France não oficializou sua entrada no país, o que gerou desconfiança por parte da imigração local.
"Não teve registro de que estive aqui em Dacar. As autoridades não foram informadas. Se não fosse a Embaixada do Brasil, eu com certeza não teria embarcado", afirmou. Segundo a arquiteta, o apoio do funcionário Suleiman, da embaixada brasileira, foi essencial para que ela conseguisse retornar ao país.
Apesar das críticas, um especialista ouvido pela reportagem afirmou que, em casos como o de Júlia, a companhia aérea está legalmente autorizada a desembarcar passageiros por motivos médicos.