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Time de indígenas estreia no futebol profissional do Rio em luta por vitórias e afirmação

6 mai 2026 - 10h21
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Indígenas de uma aldeia ‌no litoral do Rio de Janeiro fundaram um time profissional de futebol apenas com jogadores de povos originários de todo o país para disputar o Campeonato Carioca, mas a verdadeira razão está muito além de marcar gols e buscar vitórias: usar o esporte como plataforma de visibilidade, cidadania e afirmação.

"O pensamento primeiro era formar o time, jogar o ⁠Carioca. Não ser campeão, mas sim dar visibilidade a todo esse povo que é muito ‌sofrido, diretamente defendendo sua terra", disse em entrevista à Reuters o cacique Tupã Nunes, presidente do clube e líder da aldeia Mata Verde Bonita, em Maricá, onde vivem indígenas ‌Guarani Mbya.

"Nós queremos combater o racismo, combater todos esses ‌preconceitos que a gente passa por ter a nossa maneira de ser", afirmou. "Desde ⁠jovem eu acreditei que, jogando muita bola, futebol bem arte, futebol bem jogado, você pode quebrar os corações de pedra que um dia não entenderam o seu sonho, o seu projeto, o seu povo."

À frente da equipe está o técnico Huberlan Silva, que conta que a montagem do elenco exigiu uma busca ativa por talentos indígenas em várias regiões ‌do país. Embora boa parte dos jogadores já tenha passagem pelo futebol profissional, o grupo ‌reúne também atletas amadores, tendo ⁠recebido inscrições inclusive pelo ⁠Instagram.

"Eu tenho que ligar para empresários do Pará, de Rondônia, do Amazonas, do Acre, da Paraíba. ⁠Onde sei que há comunidades indígenas, eu ligo ‌para saber onde tem um ‌talento escondido, alguém que não teve oportunidade e que, vindo para cá, possa se tornar um atleta profissional de alto rendimento", afirmou.

O atacante Edilson Karai Mirim, grafista e influenciador digital da aldeia Mata Verde Bonita, atua pintado nas partidas e explica ⁠que o grafismo aplicado ao corpo simboliza proteção, identidade e a própria trajetória de luta do povo Guarani.

"Eu gosto de andar pintado porque ali eu mostro a minha cultura, o meu trabalho, o meu grafismo", disse. "Isso significa muito para mim, porque está representando o meu povo e a minha história, a ‌história de um povo que nunca desistiu".

O Originários conta com o apoio de Anderson Terra, presidente do Instituto Terra do Saber e cacique juruá da aldeia Mata Verde Bonita — ⁠título concedido a não indígenas pela liderança local. Segundo ele, a criação do time também surgiu como estratégia para oferecer novas perspectivas aos jovens e afastá-los de contextos de vulnerabilidade, marcados pelo álcool e pelas drogas.

"O principal objetivo do Originários é, acima de tudo, trazer cidadania e quebrar paradigmas", diz.

Se o Originários já se consolida como símbolo de representatividade e resistência, os planos vão além do Campeonato Carioca. Tupã Nunes sonha em ver seus guerreiros-águias -- ave que estampa a camisa do clube -- voarem mais alto, chegando a grandes clubes do país, à Europa e, quem sabe, à seleção brasileira.

"A gente pensa grande. Meu sonho é grande. Quero ver atletas do Originários abrindo portas para jogar no Flamengo, Botafogo, Fluminense, outros times do Brasil, ou na Europa. Mas também quero alcançar a seleção brasileira", afirma.

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