Revelação de pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Vorcaro pega aliados de surpresa e preocupa campanha
Aliados do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se esforçaram nesta quinta-feira para minimizar os laços do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de uma série de crimes, após a revelação ameaçar as chances do parlamentar na eleição de outubro.
Auxiliares e membros do Partido Liberal (PL) de Bolsonaro disseram à Reuters que foram pegos de surpresa na véspera com a mensagem de voz publicada pelo site de notícias The Intercept Brasil, na qual o senador pediu a Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, que retomasse o financiamento de um filme sobre seu pai.
Até março, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia negado qualquer ligação com o banqueiro, que está preso devido ao escândalo envolvendo fraudes financeiras e lavagem de dinheiro do Master.
Na semana passada, ele usou uma camiseta em um evento político que ligava o escândalo do Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "O Master é do Lula".
Mas, após a reportagem de quarta, o senador admitiu que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, e que suas conversas envolviam um contrato que o banqueiro deixou de pagar. Ele descreveu como um caso de "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai".
Aliados de Bolsonaro se esforçaram para explicar a reversão repentina, minimizando sua importância para a eleição presidencial.
"Flávio cometeu um único erro ao não revelar seu relacionamento com Vorcaro antes", disse o deputado Alberto Fraga (DF), vice-líder do PL na Câmara dos Deputados. Ainda assim, ele insistiu que o senador não havia feito nada de errado e que deveria continuar com sua campanha.
Concorrentes presidenciais rivais da direita foram menos tolerantes. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema disse nas redes sociais que a revelação era "imperdoável", chamando-a de "um tapa na cara dos brasileiros de bem".
Pesquisas recentes mostraram Flávio Bolsonaro liderando outros candidatos de direita por quase 30 pontos percentuais na disputa e empatando com Lula em uma simulação de segundo turno.
Andrei Roman, diretor da empresa de pesquisas AtlasIntel, disse nas redes sociais que as chances de reeleição de Lula "dispararam" com a notícia.
Leonardo Barreto, analista político da Think Policy, disse que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro "envergonha aliados, gera desconfiança entre assessores e queima pontes com partes da direita".
Os mercados financeiros brasileiros caíram na quarta com a notícia, com operadores apostando que as revelações prejudicariam as chances de Flávio vencer as eleições. O real e a bolsa de São Paulo recuperaram parte dessas perdas na quinta.
No ano passado, a família Bolsonaro apoiou a produção de um filme em inglês chamado "Dark Horse" sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora cumpre uma sentença de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022. Atualmente ele está em prisão domiciliar por motivos de saúde.
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