Reino Unido oferece empréstimo de US$ 541 mi para fundo de florestas tropicais liderado pelo Brasil
O Reino Unido anunciou um empréstimo de US$ 541 milhões para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa liderada pelo Brasil para financiar a conservação florestal com pagamentos por área preservada. O formato de empréstimo foi adotado pelo governo britânico para proteger as contas públicas e focar no custo de vida local. Com essa adesão, o fundo aproxima-se da meta inicial de US$ 10 bilhões públicos, etapa crucial para destravar novos aportes internacionais, como os dos Estados Unidos.
O Reino Unido se comprometeu, nesta quinta-feira, a investir 400 milhões de libras (US$541 milhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa liderada pelo Brasil destinada a financiar a proteção de florestas ameaçadas.
O Brasil lançou a iniciativa no ano passado, durante a cúpula climática da ONU COP30, com a meta de arrecadar US$10 bilhões em recursos públicos no primeiro ano, e até o momento já garantiu quase três quartos dessa meta.
O TFFF foi apresentado como um modelo inovador, no qual o fundo é administrado como um fundo de dotação ("endowment") e paga aos países elegíveis repasses anuais com base na extensão de suas florestas tropicais ainda em pé.
O Reino Unido apoiou o conceito durante a cúpula, mas não fez uma contribuição inicial financiada pelos contribuintes, já que o governo do então primeiro-ministro Keir Starmer estava sob pressão quanto à forma de equilibrar as contas internas.
O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que tem se concentrado ainda mais em amenizar as preocupações com o custo de vida no país desde que assumiu o poder em julho, afirmou desde então que algumas das contribuições internacionais do Reino Unido para o clima deveriam ser feitas na forma de empréstimos, e não de doações.
"O investimento do Reino Unido no TFFF na forma de empréstimo, e não de doação, garante uma boa relação custo-benefício para o contribuinte britânico", afirmou o Departamento de Segurança Energética e Emissões Zero do Reino Unido em um comunicado.
Em julho, Burnham afirmou que a economia gerada pela mudança das contribuições para projetos climáticos de doações para empréstimos ajudaria a financiar um teto para as tarifas de ônibus.
Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, considerou o compromisso do Reino Unido "muito significativo", acrescentando que ele "reforça uma mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais".
Duas fontes disseram à Reuters que esperam que a meta de US$10 bilhões seja atingida até o final do ano. Se isso acontecer, isso poderia desbloquear mais financiamento dos Estados Unidos.
No total, o TFFF tem como meta arrecadar US$125 bilhões, incluindo US$25 bilhões provenientes de governos e instituições públicas.
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