'Quem não deve, não teme', diz Lula sobre fuga de Flávio aos EUA
Presidente afirmou que ação do senador do PL foi 'vergonhosa'
Em evento no Palácio da Alvorada, o presidente Lula criticou a ida do senador Flávio Bolsonaro aos EUA após a derrota eleitoral, afirmando que "quem não deve, não teme" e classificando o ato como desrespeito à democracia. Lula lembrou que permaneceu no país após suas próprias derrotas e durante a Lava Jato. O petista também acusou o sistema financeiro, big techs e os EUA de atuarem contra ele. Paralelamente, Donald Trump insinuou, em comício no Texas, suspeitas de fraude na eleição brasileira.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou nesta terça-feira (27) a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota eleitoral e afirmou que "quem não deve, não teme".
As declarações foram feitas durante um evento no Palácio da Alvorada, em Brasília, para celebrar os 81 anos do chefe de Estado. Em seu discurso, Lula mencionou a ida de seu adversário político aos Estados Unidos e criticou o que classificou como falta de respeito de Flávio "com seus eleitores e com a democracia".
"Eu fico pensando que culpa tem na consciência o cara que fugiu do Brasil. Quem não deve, não teme. Se ele saiu de seu país, é porque deve alguma coisa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso: o Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos EUA", declarou Lula.
Na ocasião, o mandatário também recordou que permaneceu no Brasil após perder as eleições presidenciais para Fernando Collor, em 1989, e Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998.
Ainda segundo Lula, Flávio poderia ter permanecido no país para "provar que as acusações não são verdadeiras". O petista também afirmou que tentou fazer com que o senador demonstrasse sua honestidade por meio da entrega de documentos, mas ressaltou que o parlamentar não apresentou os próprios documentos.
Ao lado da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, Lula revelou que recebeu convites para deixar o Brasil durante a Operação Lava Jato, mas decidiu permanecer no país para, segundo ele, "provar a inocência".
Durante a celebração, o petista também afirmou que plataformas digitais, incluindo a Meta, o sistema financeiro e o governo americano atuaram contra sua reeleição. Lula voltou a defender a soberania nacional e declarou que o Brasil "não é quintal de ninguém".
Nos Estados Unidos, o presidente do país, Donald Trump, voltou a comentar as eleições brasileiras durante um comício no Texas. Na ocasião, o republicano alegou que o pleito havia sido fraudado.
"Eles fraudam muito bem [democratas]. São os maiores fraudadores de eleições da história. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Eu não tomei partido, não gostei, não me pareceu muito bom", declarou o republicano.
O chefe de Estado americano cumpre uma série de compromissos de campanha antes das eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms, marcadas para 3 de novembro. .
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